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Por que reclamo de joguinhos

- Mas você vai pagar 180 reais nos dois jogos pra ficar reclamando depois?

Essa foi a pergunta que meu amigo fez a mim depois que decidi que compraria Uncharted 2 e 3 em uma loja do shopping. Instantes antes, ele e os atendentes da loja encheram a série de elogios, mas minhas impressões negativas sobre o primeiro da série, único que joguei até então, caíram como um balde de água fria numa franquia que, ouvindo os comentários dali, parecia perfeita.

Fiquei pensando comigo mesmo depois – como é engraçado joguinhos, né? Você paga um valor alto no seu hobby, que a princípio deveria lhe agradar, mas no fim você pode ficar insatisfeito com o que adquiriu. Ok, isso pode acontecer com qualquer outro tipo de lazer, mas só com videogames você gasta praticamente 1/3 do salário mínimo brasileiro (sem contar que é necessário ter o console) e umas dez horas de vida, no mínimo. Olhei para o Resident Evil 5 na minha estante, que eu comprei, joguei, terminei e reclamei (muito por sinal). Ao encará-lo, tentava entender por que diabos eu e muita gente gasta dinheiro assim – e não é porque sou rico, hein!

Talvez precisamos jogar coisas que não nos agrade por inúmeros motivos. A curiosidade do “nossa, porque será que ninguém gosta disso?” pode nos levar a algumas surpresas – foi assim que descobri Zelda II – e vermos que, no fundo, o jogo nem é tão ruim assim. Se parar para pensar, Majora’s Mask foi algo parecido: muita gente acabou nem terminando o     jogo (destaque pro comentário do Danilo (Ninja), dono do site, que acha que o jogo tem fala demais e na época não se empolgou, ainda mais por ter pego o cartucho japonês) e depois de alguns anos, a internet está totalmente agitada com o remake anunciado.

Outra coisa que gosto de dizer é que reclamo com carinho. Se eu falo mal de alguma parte, é uma crítica construtiva para que alguém não cometa o mesmo erro. Até porque não acho que algum desenvolvedor olhe pro jogo e pense “puts, essa parte aqui eu vou zoar tudo só pro jogo não tirar 10 em tudo”. Existem diversos fatores que acabam fazendo com que nem tudo seja perfeito: falta de tempo, hardware limitado, bugs, até mesmo por inexperiência do produtor. Além do mais, o fato da crítica existir faz com que o criador possa corrigir e fazer um jogo excelente depois (a menos que ele queira insistir no erro, ai eu gosto de pegar no pé mesmo). Por isso, cada vez mais o feedback dos fãs é importante para as empresas.

É engraçado que por mais que eu não goste de Resident Evil 5, ele ainda continua na estante e não tenho o interesse de me desfazer dele. Tudo aquilo que acho que tem de errado nele, no fim, é um grande aprendizado para mim - que quero ser desenvolvedor de jogos -, para outros jogadores e para a indústria. Porque toda vez que jogo me lembro de “hm, se eu for criar um parceiro controlado pela IA, qual é a melhor forma de aplica-lo?”. É claro que, além dos exemplos bons, nunca vou me esquecer dos ruins, o que vai me levar a uma escolha com maior possibilidade de acerto. Jogos ruins, no fim, são tão necessários quanto os bons para criar outra coisa excelente – afinal, Majora’s Mask não foi só influenciado por Ocarina of Time, mas também por Zelda II.

- Ok, ok, você já disse  por que não gosta de Uncharted 1. Mas vai levar os outros dois e reclamar ainda assim?

- Hmm.... Sim!

 

Mago das palavras e defensor do brócolis com filé de frango, vê Waluigi como um exemplo de vida a ser seguido

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