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Remakes, Remasterizações e Rebuliços: Twilight Princess

Em abril, saiu aqui no HL um texto meu sobre remakes, apresentando tanto remakes feitos na série Zelda como em outras e analisando coisas como “Havia necessidade mesmo? As mudanças fazem valer a pena? O remake descarta ou valoriza o jogo original?”

Como aquele texto falou sobre remakes que existiam de verdade, resolvi fazer este como um texto-DLC* daquele, falando somente sobre o rumor do remake de Twilight Princess. Dadas as circunstânicas (= rumores gerando mimimi), resolvi expandí-lo um pouco e respostá-lo em versão ATUALIZADA (isso mesmo, um remaster da DLC do texto)

(*Um texto-DLC seria como uma DLC de jogo – uma expansão do original, adicionando conteúdo novo mas rodando em cima daquela base. Portanto, se você leu o texto Remakes, Remasterizações e Reboliços, vai encontrar aqui um complemento. Se você não leu, não é necessário ler, mas talvez seja interessante)

 

O Remake do Crepúsculo

Na apresentação de nosso segundo podcast, feito logo após o anúncio de remake de Majora’s Mask em 3D, nosso chefinho Danilo Ninja disse estar contando os dias para que começasse o mimimi pelo remake de Twilight Princess em HD.

Não demorou um mês e rolou um rumor de que a Nintendo teria relicenciado a marca Twilight Princess e, sei lá o porquê, os boatos voltaram-se para uma versão de 3DS.

Claro que era somente um fake – um usuário hackeara o 3DS para exibir o texto da imagem acima, fingindo ser Twilight Princess 3D. Então talvez a explicação para que o fake tenha sido feito para o portátil seja: ele conseguiu hackear o 3DS e não o Wii U, ponto.

E mesmo que ele conseguisse hackear o Wii U, uma foto mostrando uma tela de TV não causaria o mesmo rebuliço, pois poderia ser um emulador com texturas em HD feitas por fãs. Agora, uma foto de Twilight Princess na tela do 3DS... e a possbilidade de espalhar isso para os outros via Street Pass (diversas pessoas receberam o Mii do usuário dizendo que “Ultimamente tenho jogado isso: Zelda Twilight Princess HD”) obviamente fez o que fez: mimimi everywhere!

Ainda assim, alguns argumentos até poderiam justificar um port do jogo para o 3DS. Já outros apontam mais que, se a Nintendo fosse realmente revisitar o jogo, o destino seria o Wii U com uma versão HD. Ainda outros apontam que vocês que estão esperando por esse remake estão loucos, querida!

Vou expor e justificar três cenários que eu acho possíveis para o tema “relançamento de Twilight Princess”.

 

Cenário 1: Twilight Princess para o 3DS

Sabemos que existe colecionismo e que muitos compraram o New3DS por causa da edição especial de Zelda, outros compraram porque seu 3DS já estava capengando (os botões R e L principalmente) e outros que não tinha o sistema aproveitaram para comprar a versão melhorada.

Mas falando em termos de videogame, o que faz um console vender e ser um sucesso é uma coisa: jogos. E por enquanto o que temos nessa questão para o New3DS é basicamente a ludoteca já conhecida do 3DS, com a vantagem do efeito 3D melhorado e do analógico extra que dispensa o uso do Circle Pad Pro. Exclusivos mesmo somente um e que, por pouca, não roda no 3DS normal – porque faz uso do processamento e memória maiores: Xenoblade Chronicles, um remake do jogo original para Wii. "Temos" também a previsão de lançamento de Hyrule Warriors Legends, mas este será lançado também como DLC para o jogo original de Wii U, o que reduz a total necessidade de se ter um N3DS a zero.

Enfim, se o New 3DS for continuar seguindo a linha de alternativa portátil para jogos poderosos que o 3DS normal não roda, mais um remake de Zelda daria uma forcinha para o portátil.

Mas será que o New3DS rodaria Twilight Princess, ele sendo tão bonitão como é?

Bom, o New3DS roda Xenoblade Chronicles. Xeno saiu para o Wii em 2010 (quase o fim da vida útil do console) enquanto Twilight Princess saiu em 2006 (um dos primeiros do Wii e últimos do GameCube), assim, com alguma adaptação, é possível que o jogo saísse sem problemas para o New3DS. Inclusive é provável que Xenoblade tenha sido escolhido exatamente para “provar a superioridade” do novo sistema, pois se o 3DS era uma versão melhorada do N64, o New3DS já alcança – com certas limitações, é claro – o Wii.

Os argumentos CONTRA, nesse caso, são que num primeiro momento não haveria nenhum real atrativo nessa versão 3D de Twilight Princess que modificasse a experiência com relação aos originais de GC e Wii – o efeito 3D é algo legal mas não muda a experiência desse jogo em especial.

Xenoblade para Wii é um jogo difícil de conseguir, pois apesar de ser querido pelos fãs de RPGs japoneses, não é extremamente popular aqui no Ocidente. Já Twilight Princess foi um sucesso enorme quando saiu, um dos principais jogos do Wii e até hoje você consegue encontra-lo sem grande dificuldade. Portanto entre uma versão com gráficos mais lavados em tela diminuta e a versão original, em tela grande, nada realmente faria as pessoas preferirem por esse remake.

Além disso, investir tempo e dinheiro em mais um remake para um console que não tem exclusivos não me parece a coisa mais inteligente do mundo. Aí se suas esperanças continuam nesse sentido vai de você acreditar que a Nintendo tem uma pesquisa muito bem feita de mercado garantindo que isso venderia o portátil o suficiente - ou sua total crença de que a Nintendo simplesmente arrisca coisas sem sentido comercial.

 

Cenário 2: Twilight Princess HD para Wii U

Dentro das possibilidades de haver um remake, essa é a que eu acho a mais provável. Se lembrarmos do texto sobre remakes, na parte sobre Majora’s Mask, um dos motivos óbvios que justificavam o remake de MM ser para o 3DS era “Porque Ocarina of Time já saiu para 3DS, então tanto a Nintendo aproveitaria a engine pronta quanto fecharia o ciclo – os donos de 3DS poderiam reviver todos os Zeldas de N64 com a adição do 3D estereoscópico”.

A mesma coisa pode ser dita de Twilight Princess. Lançado apenas 3 anos após The Wind Waker, a engine utilizada em TP é praticamente a mesma, portanto a base para uma versão de Wii U já está pronta nos arquivos de Wind Waker HD. Além disso, fecharia o ciclo de Zeldas de GameCube refeitos em HD.

Também, os gráficos puxados mais para o realismo, à imitação da realidade, que vemos em Twilight estão mais datados do que os de Wind Waker. Como vimos naquele mesmo texto original, texturas e modelos com aparência próxima da realidade tendem a envelhecer mais rápido, pois a tecnologia avança rápido nesse sentido, e logo sabemos dizer de que época era aquele jogo – embora a cartunização na série Zelda tenda a amenizar esse envelhecimento, Twilight Princess original já parece muito mais ultrapassado que o Wind Waker original.

O primeiro argumento contra, no caso, continua sendo o sucesso de Twilight Princess há dez anos. Majora’s e Wind Waker traziam propostas radicais e, convenhamos, à frente de suas respectivas épocas, por isso foram mal-recebidos no lançamento mas, passado um tempo, despertaram curiosidade. Já Twilight sempre esteve perfeitamente alinhado com seu tempo, então quase todos que possuíram algum console Nintendo na década passada já o jogaram. Isso não contribuiria tanto para as vendas do remake, muito menos para as vendas do Wii U - como o Wii U roda jogos de Wii naturalmente, muita gente ainda conserva seu DVD do jogo.

O segundo argumento contra virá no próximo cenário...

 

Cenário 3: Twilight Princess portado para a eShop

- Sabemos que a Nintendo não é fã de remasterizar um jogo da forma “expressa” como outras empresas têm feito, que é simplesmente trocar o pacote de texturas por imagens em resolução HD. Não estou exatamente criticando esse método, acho que para alguns jogos isso tem funcionado – eu não joguei The Last Of Us no PS3 então a opção de jogar o mesmíssimo jogo sem alterações no PS4, apenas com atualização gráfica, é uma boa. Também a trilogia Devil May Cry de PS2 já são jogos fechados em si, então eu gosto de poder apenas tê-los em versões de maior resolução, sem grandes modificações.

Mas a Nintendo, quando remasteriza um jogo, aproxima-se muito mais do remake. Em Wind Waker HD, vários trechos e parte da estrutura foram modificados para se corrigir problemas de design e tornar o jogo mais fluído e acessível para os jogadores atuais. Em Link’s Awakening DX, não foi somente aplicada uma camada colorida por cima do jogo original, mas partes inteiras foram modificadas e adicionaram uma dungeon e itens que fazem uso das cores para resolver puzzles. É realmente o jeito Nintendo de fazer: eles não apresentam apenas mais uma opção de se jogar, eles querem criar algo novo que faça as pessoas optarem por aquela nova versão. E isso tem dado certo há anos.

O problema é que isso demanda uma equipe inteira dedicada somente ao remake, o que sempre vai afetar o desenvolvimento do próximo Zelda inédito. Por isso, se a Nintendo realmente relicenciou a marca Twilight Princess – ou se fizer isso nos próximos meses, é provável que seja apenas para disponibilizar o jogo original, para venda em versão digital na eShop, assim como fez com Super Mario Galaxy 2 e Metroid Prime Trilogy. Assim a equipe pode continuar se focando em Zelda U (que já foi adiado para 2016).

 

O Crepúsculo do remake

Existe o quarto cenário no qual, por enquanto, nada acontece e feijoada. A Nintendo continua trabalhando em Zelda U para 2016, faz umas DLCs para TriForce Heroes e começa a trabalhar em um novo Zelda 2D para o 3DS ou... NX???

E Twilight Princess com sua fanbase assistem juntos ao pôr do sol. Talvez saia então futuramente, como remake para o NX, quando o jogo de Wii se tornar raro e obsoleto – vamos lembrar que ainda é possível jogar Twilight Princess de Wii no Wii U, então quem tem ou conseguir comprar o jogo – que como eu disse, não é difícil de achar – ainda pode viver a experiência original.

O grande argumento contra um remake (e, consequentemente, a favor de um simples lançamento pelo Virtual Console) é que estamos nos aproximando (eu espero, todos esperamos) do lançamento do próximo Zelda para console. Um remake atraíria todos os fãs para o jogo e acabaria por competir com Zelda U. Então realmente, talvez agora ainda não seja a hora. 

 

Sobre Twilight Princess em si, eu o vejo como um jogo cheio de potencial. Tem belos gráficos, bela trilha sonora, a história que é praticamente uma filha de Ocarina of Time e A Link to the Past em versão mais cinematográfica, e diversas coisas que podem ser modificadas a fim de melhorá-lo. O jogo já está para fazer 10 anos, a maioria das pessoas que jogou na época de lançamento pode estar pensando agora em revisitá-lo e a nova base de fãs que conheceu o jogo por Skyward Sword e A Link Between Worlds talvez esteja esperando o momento de conhece-lo – mas não desesperados, apenas esperando.

Dentro da Zeldosfera, pode não ser o mais inovador. Dentro do mundo dos JOGOS, pode não ter sido o melhor do ano. Tem escolhas ruins de narrativa e problemas no design, mas é um jogo que representa bem tudo que a série tem a oferecer – um vasto mundo com sidequests aqui e ali, Ganon, Triforce, Master Sword, um gimmick exclusivo, uma jornada do herói que vai de fazendeiro a herói do tempo, a  luta do bem contra o mal: é um excelente cartão de visita da série Zelda. Em seu tempo, com certeza atraiu mais pessoas para nossa querida Hyrule e com certeza vai atrair muitas mais se, ou quando, chegar sua segunda hora.

Colunista desalinhado e adulto não-praticante. Divido as fases da minha vida de acordo com meu jogo Zelda favorito em cada época.

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