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A editoria focada na pesquisa. Nossos colunistas vão a fundo nos elementos da série para para trazer para vocês todas as informações importantes e supreendentes que não estão no manual.

As influências mitológicas em Zelda

  Desde 1986 The Legend of Zelda vem crescendo e expandindo seu universo, criando uma rica mitologia. Mas além de suas próprias lendas, é possível ver na série referências aos mitos de muitas culturas, como a grega, a japonesa e a celta.

Influências da mitologia japonesa

 A mitologia do país onde a franquia nasceu tem muitas lendas sobre espíritos e demônios semelhantes a animais.

  Uma delas é a kyuubi, um tipo de kitsune (palavra que significa raposa, em japonês, mas que também nomeia seres mágicos semelhantes ao animal). Uma kitsune ganha caudas à medida que envelhece, e quando atinge os 900 anos, ganha sua nona cauda e se torna uma kyuubi.

  Keaton, de majora’s mask, se assemelha muito a uma kyuubi, e não apenas na aparência: Segundo a lenda, as kyuubis possuem a habilidade de ver e ouvir tudo em qualquer lugar no mundo, e também sabedoria infinita. Pelas perguntas que faz a Link, nota-se que Keaton parece saber de tudo que se passa em Termina.

Também é interessante notar que na descrição da Keaton Mask, os Keaton são chamados de “raposas fantasmas,” pois a kyuubi é um tipo de youkai, que são espíritos da mitologia japonesa.

Skyward Sword carrega uma referência muito interessante ao budismo japonês: A dungeon Ancient Cistern.

     Esse templo foi baseado no conto “O Fio da Aranha”, de Ryunosuke Akutagawa. O resumo da história é o seguinte:

  "Em uma manhã, Buda caminhava pela Terra pura (paraíso), quando passou por um lago cheio de flores de lótus. Pelas águas cristalinas, ele podia ver o Jigoku (inferno), que jazia bem abaixo do lago. Entre os condenados ao jigoku, uma figura chama a sua atenção. Era Kandata, um ladrão e assassino cruel, mas que tinha uma única boa ação em seu nome: quando voltava de um assalto, uma aranha cruzou seu caminho e ele iria mata-la, mas decide que não é justo tirar sua vida sem razão.

  Comovido por esse ato de compaixão, Buda pega uma aranha que tecia uma teia prateada e a envia ao inferno. Lá, Kandata afundava em um mar de sangue, na completa escuridão. Quando olha para cima e vê a aranha descendo, agarra o fio e começa a subir. No meio da longa escalada, ele olha para baixo e vê que outros que estavam no inferno também subiam pelo fio. Temendo que este se partisse pelo excesso de peso, ele grita que o fio de aranha era seu e apenas seu, e nesse momento o fio se parte e joga todos de volta ao inferno.

  Buda se entristeceu ao observar tudo: se Kandata tivesse permitido que os outros se salvassem, ele também seria salvo. Sua falta de compaixão o havia condenado."

  Ancient Cistern parece recriar o cenário dessa história: No andar superior, temos um lago cristalino de flores de lótus, uma estátua semelhante a Buda e muitas skulltulas e walltulas, e no inferior, uma caverna sombria cortada por um rio de sangue. Mas a maior referência está no momento em que Link sobe por um fio de aranha até o andar de cima. Como no conto, os condenados ao inferno, aqui representados pelos cursed bokoblins, tentam subir atrás de Link.

Também há referências mais sutis espalhadas pelos jogos, como o miniboss Death Sword, do Twilight Princess:

Link o encontra selado na espada. Esses papeizinhos pendurados nas cordas são Ofudas, talismãs feitos com tiras de papel ou madeira muito fina, que eram usados por monges e sacerdotes no Japão para exorcizar ou aprisionar espíritos.

Influências da mitologia grega

  A mitologia grega é cheia de criaturas fantásticas com aparências humanoides ou semelhantes a animais. Algumas dessas serviram de inspiração para os inimigos que Link enfrenta em sua jornada, principalmente nos primeiros jogos.

  Os centauros, por exemplo, são criaturas metade homem e metade cavalo. Eles se dividiam em duas famílias: Os filhos de Íxion e Nefele, que simbolizavam a força bruta, e os filhos de Filira e Cronos, que representavam a força aliada à bondade. Os lynels, inimigos do primeiro zelda, lembram os centauros filhos de Íxion, mas além do corpo de cavalo têm cabeça de leão.

Também temos os ciclopes, gigantes imortais com um só olho no meio da testa. Se parecem muito com os hinoxes, que apareceram pela primeira vez jogando bombas em A Link to the Past.

  E os Gleeoks, bosses do primeiro Zelda, foram inspirados na Hidra de Lerna: assim como ela, são dragões de múltiplas cabeças. Mas se uma cabeça da Hidra era cortada, duas cresciam em seu lugar; no caso de Gleeok, a cabeça ganha vida própria.

  Mas não é apenas nos inimigos que vemos referências às lendas gregas: Kaepora Gaebora e a coruja de link’s awekening são duas corujas que aconselham e guiam Link ao longo de sua jornada. Para os gregos, as corujas eram associadas ao conhecimento: a deusa da sabedoria, Atena, era representada por uma coruja cinza.

  E Jovani, de Twilight Princess, tem uma história muito parecida com a do rei Midas e seu toque do ouro. Assim como o rei grego, ele pediu por riqueza (no caso, vendendo a alma para um demônio) e acabou amaldiçoado por seu pedido.

  Também existem referências menores à mitologia dos gregos na série, como a torre de Hera, de A Link to the Past, que carrega o nome da deusa grega do casamento, e as pegasus boots, que remetem ao Pégaso, o cavalo alado.

Influências da mitologia árabe

  Como referência à essa mitologia temos Helmaroc king, de the Wind Waker, que lembra o pássaro Roca (Roc, em inglês), uma ave gigante da mitologia árabe/persa. O Roc era descrito como uma criatura violenta que atacava navios no mar, e aparece em um dos contos de As Mil e Uma Noites.

Influências da mitologia celta

 Zelda tem muitos aspectos da mitologia celta, como os hylians, que se assemelham muito aos elfos, e Link, que assim como eles, é habilidoso com a espada e o arco. Outro aspecto da cultura celta é que eles consideravam como divindades alguns seres da natureza, o que lembra as árvores falantes da série, como a Maku Tree de Oracle of Seasons e a Great Deku Tree de Ocarina of Time.

  As fadas da mitologia celta, espíritos pacíficos que viviam em harmonia com a natureza, também lembram as prestativas e bondosas fadas de Zelda.

 A inspiração para a Master Sword também vem dessa mitologia, pois assim como a Excalibur do rei Artur, é uma espada poderosa que foi retirada de uma pedra pela pessoa digna de brandi-la.

Por fim, temos a leal Epona, que tem o mesmo nome da deusa celta dos cavalos.

Dragões

 Dragões são criaturas presentes em mitos do mundo inteiro, mas cada cultura tem sua própria visão sobre eles. Nas lendas orientais, eles geralmente são retratados como divindades e associados à sabedoria, e sua aparência lembra a de uma grande serpente voadora, enquanto nas ocidentais, são monstros destruidores e ferozes, e a forma de seu corpo é a de um animal quadrúpede.

  Valoo de The Wind Waker e o trio de dragões de Skyward Sword são baseados nas lendas orientais. Argorok, de Twilight Princess, se assemelha a um dragão ocidental no comportamento, mas sua aparência lembra mais um Wyvern (ou serpe), um réptil semelhante a um dragão, mas que possui asas no lugar das patas dianteiras, como uma ave. Wyverns vêm das lendas da europa medieval.

 Por fim, temos Volvagia, de ocarina of time, um caso interessante entre os dragões de Zelda:

       “Há muito tempo atrás havia um dragão maligno chamado Volvagia vivendo nessa montanha. Esse dragão era muito assustador! Ele comia Gorons! Usando um martelo enorme, o herói dos Gorons… BOOOM! Destruiu ele bem assim. Esse é um mito antigo, mas é verdade! Eu sei, porque meu pai é um descendente do herói!”

     —Link dos Gorons

 Um dragão feroz e devorador de gorons, que foi derrotado pelo herói deles. Volvagia age como um dragão das lendas ocidentais, mas tem a aparência de um oriental, o que o torna uma fusão entre os mitos dos dois lados do mundo.

Além de tudo isso, vale lembrar que a fórmula central da série –um herói que sai numa missão para salvar uma princesa, enfrentando monstros e inimigos no caminho- vem dos contos e canções da Europa medieval.

  É interessante ver como as mitologias de tantos povos ajudaram a criar uma lenda tão extensa. Como se Zelda tivesse fincado suas raízes nelas, se nutrido delas, e florescido em uma árvore enorme e bela.

  Talvez sejam essas referências que, ao aproximarem os jogos das histórias com as quais nosso mundo cresceu, deixem The Legend of Zelda com os atributos de uma verdadeira lenda.

imagem da chamada disponível aqui

Hey, listen! aspirante a cosplayer e a desenhista que ainda torce para ver Link e Zelda juntos e que sonha em ter um remlit de estimação.
(E daí que viram assassinos de noite? São tão fofinhos! :3)

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