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A lenda de Zelda

Muitas histórias fictícias seguem um modelo de personagens parecido. Basicamente, a maioria dos contos apresenta um herói, um vilão e uma princesa em perigo. No fim, o herói derrota o vilão e resgata a princesa. Acontece que essa é uma visão muito primitiva, deixando a protagonista feminina apenas como um objeto incapaz de fazer algo, totalmente dependente do mocinho da história.

Aparentemente, a série Legend of Zelda também segue esse modelo. Afinal, Zelda não é jogável e sempre precisa ser resgatada nos jogos. Essa impressão acontece devido à semelhança que a estrutura da série tem com os romances de cavalaria. Essas histórias surgiram na Europa durante a Idade Média e, na sua estrutura, sempre havia um cavalheiro com virtudes, que partia em uma jornada para enfrentar alguém e geralmente acaba salvando uma donzela. Porém, ao se aprofundar mais no universo da série, vemos que não é isso o que acontece.

O principal elemento dos jogos de Zelda é a Triforce, onde cada personagem principal possui uma das três qualidades. A relíquia foi criada pelas deusas Din, Naryu e Farore, que também criaram o mundo onde surgiria depois Hyrule. O fato da Zelda obter um dos pedaços da Triforce, assim como Link e Ganon mostra que ela não é menos importante que eles. A princesa mostra desde o primeiro jogo da série como utilizar a sabedoria para salvar Hyrule. Antes de ser capturada por Ganon, ela divide a Triforce of Wisdom em oito pedaços e esconde-os pelo reino, além de enviar Impa para encontrar alguém corajoso o suficiente para ajudá-los.

A posse da sabedoria como virtude das deusas explica por que Zelda não sai abandonando seu posto, afinal, ela não pode arriscar Hyrule. A princesa prefere agir cautelosamente, tanto que sempre passa informações e faz pedidos somente a Link, um jovem simples e desconhecido mas que tem sua confiança e não para qualquer pessoa. Ela faz tudo isso pensando no bem do reino e de seus habitantes. Vale lembrar que Zelda tem uma grande prudência e acaba até ajudando outros lugares, como ao desejar uma nova Triforce para Lorule no jogo mais recente da série, A Link Between Worlds.

O poder de Zelda é tão grande que ela precisa tomar cuidado em várias situações. Sempre vítima de atentados de Ganon, a princesa fica por vários anos na forma de Sheik, em Ocarina of Time, para não chamar atenção do antagonista. Para isso, recebeu treinamento de Impa, a sua guarda-costas pessoal. Durante a jornada de Link em Hyrule, Sheik aparece para contar parábolas, dar conselhos e ensinar músicas novas para o herói. Acontece que a princesa baixa a guarda e revela seu disfarce, dando a brecha  que Ganondorf precisava para capturá-la, após vários anos atrás de Zelda. Só após ficar presa que a princesa não consegue contribuir com o progresso de Link.

E não é só na forma de realeza que a portadora da Triforce of Wisdom aparece. Em Wind Waker, temos a capitã Tetra, líder de um grupo de piratas. Com personalidade forte e um jeito de durona, Tetra é muito respeitada pelos membros de sua tripulação. Ela ajuda Link em vários momentos de sua jornada, e em certo momento consegue enfrentar Ganondorf. Embora ela seja pega por ele após descobrir que é uma reencarnação de Zelda, Tetra mantém sua bravura até o final, ajudando na batalha final contra Ganon quando Link desmaia, mesmo após ficar desacordada por um tempo considerável. No fim, Tetra abandona seu lado relacionado a princesa e continua a desbravar o oceano com os piratas, dessa vez acompanhada por Link.

 

Há um ditado popular que diz “Quem é rei, nunca perde a majestade” - para o nosso caso, princesa. Em Twilight Princess, Hyrule é invadida e suas tropas são derrotadas, então Zelda se vê forçada a se render para poupar o reino. Ela se esconde e tenta fazer uma plano para retomar o poder, junto com Midna e Link - e em determinado momento, a princesa se sacrifica para salvar a vida de sua aliada. Porém, Ganon consegue capturá-la e a controla, forçando Link a enfrentá-la, mas na luta final ela lhe ajuda, disparando light arrows montada na Epona.

Mas a figura feminina não ganha destaque só com a princesa na série. Durante os jogos, várias personagens exercem papéis relevantes - que vão desde o fornecimento de itens até a criação de Hyrule. Elas tem sua própria vila, como as gerudos, ocupam a posição de sages ou ajudam Link, como as fadas Navi e Tatl, a twili Midna, a sheikah Impa com seus conselhos, sua irmã Aryll ou sua vovó - que faz uma sopinha deliciosa!

Os sages são um elemento de destaque da franquia, servindo de ligação para o Sacred Realm. Muitos deles são do sexo feminino e tem sua motivação para derrotar Ganondorf.  Em Ocarina of Time, temos Saria e a princesa Ruto, que lutam para impedir a chegada do mal nos territórios que vivem. Há também a última sheikah, Impa, que já sabia sobre seu status de sage ao receber ajuda de Link e também Nabooru, a gerudo com desejo de vingança de Ganon após ter sido capturada por tentar sabotar seus planos.

A tribo gerudo é muito interessante. É uma tribo isolada no meio do deserto, composta apenas por mulheres. São guerreiras agressivas e hostis, que não aceitam pessoas de outros lugares para o grupo - tanto que Link precisa resgatar os carpinteiros que entraram por curiosidade na tribo e foram capturados. No universo alternativo de Majora’s Mask, a faceta cruel é ainda maior, dessa vez como piratas. Elas roubam os ovos de Lulu e derrotam Mikau quando ele tenta resgatá-los, fazendo com que ele morra devido aos ferimentos. Embora comandada por único homem que aparece a cada cem anos, isso se mostra mais como uma tradição do que subimissão. Isso acontece pelo fato dele ser raro entre as gerudos, fazendo com que elas criem o seu líder. Vale lembrar que por ser uma sociedade totalmente diferente, fica difícil comparar os seus valores com a nossa.

É interessante observar como cada personagem tem seu papel dentro da história. Ao observarmos Ocarina of Time, temos Zelda que desconfiou de Ganondorf e fugiu com Impa e confiou a sua ocarina para Link - que até então não sabia muita coisa. Depois, auxiliado por Rauro, Sheik e outros personagens, o herói consegue passar os templos e liberar o poder dos sages, que conseguem selar Ganon no final. Link parece o personagem principal, porém isso acontece pelo fato dele ser jogável, então você vê a história pela perspectiva dele. Cada personagem funciona como uma engrenagem para que o jogo funcione. Se você tira uma delas, nada dá certo.

Muitas pessoas sugerem que Zelda deveria ser jogável para ganhar destaque, representando uma personagem feminina. Algumas dessas ideias ganham destaque, como Legend of Zelda: Clockwork Empire, um trabalho artístico de Aaron Diaz que coloca a princesa como personagem principal substituindo Link, que ganhou destaque em vários sites como Kotaku e Destructoid. Acontece que essa maneira não faz muita diferença, não dando uma grande importância para Zelda como aparenta.

O fato de Zelda possuir a sabedoria como virtude faz com que lutar seja algo complicado, e colocar alguém com as qualidades de Link para governar Hyrule faz com que o reino caminhe para o desastre, quebrando a premissa do que os jogos da série propõem. A possibilidade de Zelda receber uma suposta Triforce da Coragem quebra todo o propósito de colocar alguém diferente do Link como protagonista, ocorrendo apenas uma troca de gênero. As diferenças de jogabilidade que o Aaron Diaz sugere também podem ser aplicadas para Link, sem empecilhos. Particularmente, prefiro um spinoff que foque na furtividade de Sheik, durante Ocarina of Time, ou as aventuras em alto mar de Tetra, dando destaque para batalhas em terra e alto-mar.

Recentemente, fomos recompensados em Hyrule Warriors com a possibilidade de jogar com Zelda, Shiek, Midna e outras personagens que, tempos atrás não passava na cabeça a ideia de que poderíamos tê-las jogáveis algum dia (CURIOSIDADES: Quando fiz esse texto, HW nem tinha sido anunciado ainda). De qualquer forma, creio que o jogo fez seu papel de fanservice em colocá-las jogáveis, mas não consigo imaginar isso na série principal.

É possível perceber que a princesa Zelda e outras personagens ocupam grandes papéis na história, sem precisar ser jogável, como Lucca (Crono Trigger), Lightning (Final Fantasy XIII) ou Chell (Portal) - sem tirar o mérito delas, é claro. Sua participação na história não é inferior nem superior em relação a Link e Ganon, mas sim equivalente. Além disso, não é qualquer um que administra Hyrule com tanta sabedoria, mantendo a glória do seu reino mesmo recebendo ataques por várias e várias eras, fazendo com que a Lenda seja de Zelda por inúmeros motivos.

Mago das palavras e defensor do brócolis com filé de frango, vê Waluigi como um exemplo de vida a ser seguido

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