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Link em todos os quadros: a importância dos jogos e quadrinhos

Há muito tempo as pessoas procuram se divertir e entreter de diversas maneiras, assim elas procuram mídias para isso, muitas dessas mídias já tem idade o suficiente para merecer seu devido respeito, como livros, jogos e quadrinhos por exemplo. As histórias em quadrinhos são muito antigas, nem temos conhecimento de quando exatamente foram criadas, existem registros dos homens das cavernas que desenhavam para contar suas aventuras de caça, além de quadros em igrejas medievais para retratar os últimos momentos da vida de Jesus na terra por exemplo. Mas os conhecidos como “quadrinhos modernos” foram inventados em 1895 em tiras de jornais de uma história chamada “Yellow Man”, ela tinha personagem principal, história continua entre quadros e balões, como as HQs de hoje mesmo. Anos depois tivemos a criação da DC com os tão conhecidos personagens Batman, Superman, Lanterna verde, etc e também tivemos a Marvel com os grandes Stan Lee e Jack Kirby criando diversos personagens como Hulk, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Vingadores etc. As histórias de heróis, anti-heróis, ou seja lá do que for, influenciaram no gosto e vida de muitas pessoas, histórias como Watchmen, Reino do Amanhã, Demolidor: A Queda de Murdock, sempre passam uma mensagem especial ao leitor que não seria possível transcrever para outra mídia com a mesma emoção.

Já nos jogos temos conhecimento da modificação de um certo tipo de radar que apresentava uma simulação extremamente simples de um jogo de tênis, chamado Tênis pra dois, anos depois tivemos os fliperamas com pac-man, Space Invaders, entre outros. O primeiro console foi chamado de Odyssey e assim foram criados os consoles da Atari, Nintendo, Sega, Sony, etc. Com os jogos é a mesma coisa dos quadrinhos, Zelda, Final Fantasy e MegaMan por exemplo sempre passaram ótimas mensagens e experiências aos jogadores, tanto emocionais, quanto artísticas. Quando as duas mídias foram criadas o público dominante eram crianças e isso permaneceu por muito tempo, as pessoas cresciam e começavam a achar os jogos fúteis e desnecessários para suas vidas, os quadrinhos a mesma coisa, não é uma vergonha ver um homem lendo uma história em quadrinhos? Ler a história de um homem que se fantasia e vai derrotar o crime? Não.

Quando criança sempre ouvia do meu pai “uma hora isso passa e ele para de jogar” “esses jogos são coisa de criança”, mas o que ele não sabia é que eu não pararia (e não pretendo parar), pois com o passar dos anos consegui ter um maior entendimento do inglês e pude compreender a história dos jogos e isso só me fez ter mais vontade de continuar, pois o garoto de roupas verdes com uma espada passou a ter uma história, um motivo para tudo aquilo acontecer, salvar a princesa e o mundo pareciam pouco, mas aquela história se arrastou por mais de 25 anos e se tornou grandiosa, cheia de mistérios,  algo que me instigou e instiga cada vez mais a continuar acompanhando Hyrule. O pensamento de muitas pessoas é parecido com o do meu pai, de que jogos e quadrinhos são só uma coisa superficial feita para agradar crianças e assim é gerado um grande preconceito em relação a tudo isso, obras como Bioshock e Guerra Civil – Marvel apresentam enredos muito mais criativos, divertidos e com uma mensagem muito mais importante do  que a maioria dos filmes  de ação genéricos considerados passatempo de adulto pela maioria das pessoas, é preciso diferenciar uma história adulta de uma simples história com tiros e mortes, não é porque um jogo não tem morte que ele não é destinado também ao público adulto, Zelda é um game que nunca foi conhecido por cabeças sendo arrancadas, mas tem uma certa complexidade em seu entendimento completo, pela parte de enredo principalmente, entender onde tudo se encaixa é muito mais difícil do que entender o cara que matou o outro por matar toda sua família. 

Tanto os jogos quanto os quadrinhos estão diretamente ligados por diversos motivos, preconceito, grandes enredos, inspirações, divertimento, etc o melhor exemplo de tudo isso é o jogo comix zone que trás um personagem de quadrinhos passando pelos quadros e fazendo a sua própria história, as fases são divididas em quadros que o jogador deve passar e contar a história da revista/game. Podemos perceber também que o público de um, é presente no outro e assim temos diversos jogos baseados em personagens de HQs, como um jogo do Batman já no NES, ou os X-men no Super Nintendo. Personagens fictícios com roupas espalhafatosas, histórias épicas, crossovers, uma fórmula que tanto leitores quanto gamers conhecem muito bem, são semelhanças inevitáveis que facilitam a transição de personagens de uma mídia a outra e comprovam as inspirações. O sucesso de ambas as mídias juntas e separadas é muito grande, os quadrinhos como sabemos já venderam muito mais, mas ainda hoje trazem um grande lucro as suas distribuidoras, assim elas aproveitam e aproveitaram para vender esses diretos para a criação de filmes, jogos, livros, etc, assim o lucro sempre aumentou, trazendo novas histórias. Os jogos a um bom tempo fazem muito dinheiro, mas atualmente fazem bem mais do que no passado, todo ano podemos ver recordes de vendas de jogos e consoles, recordes que são realmente impressionantes, como produto que em menos tempo consegue a marca de um bilhão de dólares, com isso os produtores também venderam os direitos para outras mídias, como filmes, livros, quadrinhos, etc.

Alguns jogos foram adaptados para quadrinhos e vice-versa, era necessário ter algumas adaptações, em um dos quadrinhos do Sonic temos a origem dele sendo contada por exemplo, coisas bem específicas. Com o lançamento de mais quadrinhos do Sonic foi necessário começar a sair da história dos jogos e criar coisas totalmente novas, daí as histórias ficaram totalmente independentes até colocando personagens novos, assim lembrando o desenho, desta forma expandindo o universo do personagem e criando mais conteúdo para os jogadores e fãs do ouriço da Sega, além de apresentar uma nova mídia que pode interessa-los. Uma série atual que está fazendo isso muito bem é Assassin’s Creed, com o recente lançamento chamado de “A Queda” trás um novo assassino chamado Nikolai Orelov que busca um artefato na Rússia Czarista, os leitores tem elogiado a história por terem conseguido manter a essência da franquia com um novo enredo, além de tudo isso é um bom quadrinho para os que apreciam apenas a nona arte, não depende da história dos jogos para ser completo ou no mínimo bom.

Além dos quadrinhos outra mídia que recentemente está muito ligada aos jogos mas não sofre do mesmo tipo de discriminação são os livros, na maioria deles são utilizados para contar a história do jogo, como acontece com Assassin’s Creed, que conta a história dos jogos ignorando totalmente a atualidade e apresentando a história separada de cada um dos assassinos dos jogos. O contrário também acontece, mas no geral como inspirações, como o ótimo game Alan Wake que é totalmente inspirado nos livros de Stephen King, o game trás citações de um dos livros, o nome de King é citado, entre outras homenagens.

Mesmo diversos jogos sendo feitos inspirados em quadrinhos nem todos eles são realmente bons, jogos como Superman 64, Iron Man, The Fantastic Four, Batman Beyond: Return of The Joker, são o que muita gente poderia esperar, jogos que são feitos basicamente para exploração da imagem dos personagens, nenhum deles tem reais virtudes para serem comprados, nada de gráficos, jogabilidade, enredo, boas músicas, etc, mas acabam vendendo por simplesmente terem o personagem preferido de muitas pessoas na capa do game. Mas o contrário também é comum de acontecer, diversos jogos do Homem-Aranha e Batman por exemplo souberam explorar perfeitamente os personagens, os recentes jogos da série Arkham do Batman souberam criar um ambiente e estilo de jogo que remete bem as histórias de vigilância, detetive e lutador do Batman, com ótimo enredo, jogabilidade, controles, músicas, etc o jogo Batman: Arkham Asylum o primeiro da série foi muito premiado e chegou a ganhar até melhor jogo do ano, além dele jogos como Marvel Ultimate Aliance, Marvel vs Capcom, Injustice entre vários outros.

Uma coisa que chamou muita atenção recentemente foi o game Injustice, além do jogo ser ótimo,trouxe com ele as revistas baseadas no jogo, mas diferente da maioria não é apenas uma exploração da marca do jogo, o quadrinho atualmente se encontra em sua fase final de ano dois (Até o momento no Brasil foram publicadas apenas as seis primeiras edições de ano um em um único encadernado) e você consegue perceber que é tudo muito bem roteirizado e planejado, pois as coisas que acontecem no jogo vão sendo explicadas no quadrinho e é muito divertido acompanhar a criação daquele universo em que  Superman se tornou um ditador, como Hal Jordan se tornou lanterna amarelo, etc. Essa foi uma bela iniciativa que deu certo e poderia ser utilizado mais vezes, claro que você vai gastar mais dinheiro para acompanhar a história na íntegra, mas como a DC comics, junto com a Warner aplicaram o projeto vale o investimento, além de que se você apenas jogar o modo história de Injustice consegue entender perfeitamente  a história do jogo e já foi dito que o segundo game de Injustice sairá em meados de 2017 com o final do lançamento de ano cinco de Injustice, isso só da a entender que antes de lançarem o jogo já sabiam de todo o enredo, foi tudo planejado nos mínimos detalhes, mesmo que a ideia do jogo tenha vindo antes e o quadrinho é uma forma de engrandecer a franquia e isso faz ficarmos admirados com o que os competentes criadores fizeram. AC, Bioshock, entre outros fazem algo parecido, mas não com o mesmo planejamento e nível de expansão que Injustice: Gods Amoung Us conseguiu, é algo interessante a ser estudado e aplicado em futuros jogos. Isso lembra o anúncio do game Quantum Break em desenvolvimento pelos mesmos criadores de Alan Wake, que terá uma série de TV e os  episódios vão ser liberados logo após o termino de cada fase, mesmo não sendo necessário assistir na hora os episódios é recomendado, para alguns pode ficar trabalhoso apenas acompanhar a história do jogo, mas olhando como grande consumidor de ambas as mídias é extremamente divertido e se executarem tão bem quanto foi com Injustice tem tudo para dar certo. 

The Legend of Zelda tem seus quadrinhos e mangás, que no geral seguem a história do jogo, apenas com adaptações necessárias para a mídia, com diálogos a mais, cenas a mais, entre outros. Os mangás de Zelda contribuem para um maior entendimento da história, com detalhes novos no enredo, mas exploram pouco o universo, algo interessante a ser estudado, mas seria necessário supervisão constante de desenvolvedores dos jogos e uma equipe de real qualidade, para não ficar algo que lembre aquele desenho animado da série. Zelda tem potencial para séries independentes em outras mídias, apenas será necessário ter equipes tão competentes quanto a que temos nos jogos.

Além dos casos já citados também temos os livros e quadrinhos que expandem o universo do jogo, os livros da franquia Mass Effect exploram mais o universo do jogo, já Skyward Sword por exemplo tem uma história em quadrinhos que vem no livro Hyrule Historia, se passa antes do jogo e também é utilizada para expandir o universo do game, já é um exemplo da possibilidade que foi citada no texto, de Zelda ter uma série de quadrinhos independentes por exemplo, apenas aumentando a quantidade de contos sobre aquele universo e expandindo-o com qualidade.

O livro Hyrule Historia é um caso totalmente diferente que foi utilizado para divulgar a cronologia da série e foi uma comemoração em relação aos 25 anos de Zelda, ele lembra livros de arte parecido com o que acontece em diversas outras franquias, mas um pouco mais especial. Enfim podemos observar uma grande interação das mídias, principalmente quadrinhos e jogos, ambas são tão importantes e adoradas quanto, com diversas semelhanças que só nos faz ter ideias para uni-las e ter sempre um conteúdo mais completo e divertido para os leitores/jogadores.

Só nos resta lembrar de tudo que as obras de ambas as mídias já nos passaram, mostrar para os preconceituosos que não são uma coisa fútil e são tão arte quanto outras manifestações que são consideradas “mais” arte por aí. Com seus grandiosos enredos, lições e mensagens só me resta agradecer a ambas as mídias por me apresentar novos universos tão intrigantes quanto o que vivemos, além de ensinamentos e críticas que levo para minha vida, coisa que sei que aconteceu com diversas outras pessoas.

 

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