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Jogos dentro de jogos

Uma análise sobre mini-games em The Legend of Zelda
 

The Legend of Zelda é conhecido mundialmente por diversos fatores, que vão desde a sua ambientação épica até a sua riquíssima história e galeria de personagens, construídos cuidadosamente ao longo de quase 30 anos. Porém pouco se fala sobre uma das características mais curiosas da franquia: seus mini-games. Presentes desde o primeiro jogo da série, eles possuem funções bem específicas, normalmente servindo para presentear os jogadores com Pieces of Hearts ou Rupees e para dar ainda mais diversidade aos jogos. Muitos acabam caindo em um limbo de esquecimento após o jogador supera-lo, mas outros acabaram ficando marcados na memória, seja por uma dificuldade frustrante, por uma complexidade única ou por quaisquer outros motivos.

Praticamente todo jogo da franquia tem ao menos um mini-game considerado insanamente difícil pela maioria dos fãs, mesmo levando em conta que dificuldade por si só é algo subjetivo. A Link Between Worlds, por exemplo, último jogo da franquia sem ser um spin-off ou remake, conta com um dificílimo mini-game que deixou traumas em muitos jogadores: Octoball Derby, uma curiosa espécie de Baseball versão Hyrule que possui uma jogabilidade confusa e é complexo a ponto de fazer os jogadores passarem horas para conseguirem supera-lo. Majora’s Mask 3D, o último jogo lançado, também não fica para trás, afinal, quem não arrancou os cabelos com o Deku Scrub Playground ou com o traumatizante Shooting Gallery?
 

Mini-games, por que eles existem?

A questão fundamental é a razão dos mini-games existirem. O que leva a Nintendo a introduzi-los em praticamente todo The Legend of Zelda (sem citar em vários outros jogos), desde o primeiro? A resposta para essa pergunta pode ser mais simples do que parece e girar em torno de um elemento básico: diversidade. Não existe pecado maior para um jogo do que a monotonia (e não só para um jogo, mas para qualquer produção artística ou cultural em geral). O tédio é a maior prova de um fracasso e é justamente por isso que a franquia possui não só os mini-games, que ajudam a alterar um pouco a imersão e a variar na jogabilidade, mas um gameplay por si só bastante único.

Existe uma forma bastante simples de ilustrar como a jogabilidade da franquia é única e praticamente exclusiva; pare, pense e tente classificar a qual gênero as aventuras de Link pertencem. Aventura? Ação? Puzzle? RPG...? Todos eles e nenhum deles ao mesmo tempo. A série é tão abrangente que consegue ser vários jogos em um só, vários gêneros simultâneos mesclados em um estilo próprio e único, de modo que o gameplay praticamente nunca se torna cansativo ou repetitivo. E, no caso, os mini-games presentes servem para aumentar ainda mais esse dinamismo, adicionando elementos de outros gêneros até, como esporte, corrida, ou até stealth. Mas os mini-games não tem apenas essa função e existem por mais um motivo simples: aumentar a vida-útil do jogo.

 

O segundo maior pecado que qualquer videogame pode cometer, é ser curto. Normalmente um jogo curto parece vazio, fraco, feito apenas para vender (existem jogos B, feitos com finalidades mais artísticas do que de entretenimento, cuja proposta é exatamente ser curto e até o preço deles é bem diferente, mas no texto me refiro às grandes franquias). E jogos cujo gameplay não dura mais do que 5 ou 6 horas (quase sempre sob a justificativa de que o que realmente importa é o multiplayer online) têm se tornado cada vez mais comuns no mercado. Zelda sempre nadou contra essa corrente. É difícil ver algum jogo da franquia com menos de 20 horas de gameplay, mesmo os primeiros, lançados na década de 80 quando ainda era bastante comum que os jogos durassem 2 ou 3 horas apenas. E os mini-games tem justamente a função de ajudarem a prolongar essa vida-útil do jogo, afinal, quem nunca ficou horas preso naquele determinado joguinho apenas para conseguir um Piece of Heart? Assim, além de aumentarem a vida útil, os mini-games podem aliviar um possível tédio ou repetição causados pela enorme quest principal dos jogos de Zelda.

 

Zelda é uma franquia riquíssima, com mais de 15 jogos lançados ao longo de quase 30 anos de existência e é inegável que parte desse sucesso se deva aos mini-jogos presentes em todo jogo da série, tão responsáveis por dinamizar e diversificar o gameplay e ainda assim tão esquecidos. Pouco se fala sobre esses elementos tão cruciais para tornar a jogabilidade menos repetitiva possível, por mais interessantes e únicos que eles sejam. O que o Futuro Zelda de Wii U nos trará é um mistério, já que pouquíssimo foi divulgado do jogo até agora, mas é quase certo que mini-games inéditos estarão lá, marcando presença, como sempre estiveram em todos os outros jogos anteriores.

 

 

Fontes:

ZeldaWikia (imagens).
ZeldaDungeon (imagens).

Um pobre estudante pobre de Jornalismo com fascínio pela cultura holandesa, álcool e Zelda.

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