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A Unreal Engine 4 e as coisas adultas e repetidas.

Talvez a Peppa tenha razão, quando estamos crescendo sempre queremos as coisas mais adultas, talvez pra mostrar o nosso crescimento ou mesmo uma falsa sensação de maturidade, visto que as coisas adultas obviamente não são o natural daquela idade e de certa forma gera mais liberdade

No ponto de vista dos jogos, desde os tempos mais primórdios, o conceito de ser maduro, principalmente no cenário ocidental, é se criar jogos mais realistas com tiros, sangue ou mesmo experiências gráficas impactantes. Talvez não se importando com profundidade ou sutilizas de uma obra mais refinada em muitos casos.

Por outro lado, no mercado atual, talvez pelo vínculo com as coisas coloridas ou preferências gráficas, a Nintendo ainda está um pouco de fora na briga por realismo tão comentada e discutida pelos fãs das duas outras grandes concorrentes do mercado. Trazendo um pouco de luz e variação nesse mercado extremamente heterogêneo e ao mesmo tempo tão repetitivo  dessa geração.

 

 

Esse jogo é 1080\60fps?

Gráficos são importantes? Claro que sim, pois são uma grande parte da experiência visual com relação a um *video jogo*. Agora se eu disser que isso não é tudo, você iria correr e dizer que eu sou Nintendista cego pra ficar defendendo a empresa por ter um console ultrapassado que não investe nos gráficos? Da mesma forma que eu seria lunático afirmando que o gráfico de um jogo não importa e que o mais importante é a nossa imaginação

O ideal sempre é um olhar sincero e despido de preconceitos somados a uma mistura dessas três escolhas de ideal, sejam elas o fãs do “100% gráficos”, Gráficos normais e “100% imaginação”, por mais clichê que isso possa parecer, ter uma noção de maturidade parece faltar pra muita gente, resultando em muitas horas perdidas discutindo “Qual estilo de jogo é o melhor e porque é o realista?”.

Mas por que ainda vamos discutir sobre isso?

- Meu filho, muito boa questão. No meu temp.. Talvez seja pra sanar as nossas curiosidades, vontade de conversar ou mesmo teorizar sobre algo que nós gostamos, algo válido praticamente pra quaisquer coisas que gostamos, seja teorizar sobre as Crystal Gems ou porque ainda pensamos que o segundo colocado vai assumir quando o vencedor hipoteticamente cair? Também vale pro real e pro virtual, apesar de que virtualmente nos tornamos muito mais “poderosos” e “donos da verdade”. A nossa fuga pro mundo virtual é ocasionada principalmente pela falta de amiguinhos com nosso gosto ou mesmo medo da interação, o que não é o foco agora, mas nem todos nós vivemos em uma sociedade na qual todos aclamem Majora’s Mask e Link’s Awakening e que concordem que uma das poucas coisas boas de The Minish Cap é que existe o chapéu do Ezlo na vida real.

Nos últimos meses, chegou tanto em Hyrule, como no Reino do cogumelo, sem esquecer de mencionar Zebes, Lylat e DK Island, a Unreal Engine 4, “a complete suite of game development tools made by game developers, for game developers. From 2D mobile games to console blockbusters, Unreal Engine 4 gives you everything you need to start, ship, grow and stand out from the crowd.” - “um conjunto completo de ferramentas de desenvolvimento de jogos feitos por desenvolvedores de jogos, para desenvolvedores de jogos. Desde jogos para celular 2D para os jogos AAA de consoles atuais, Unreal Engine 4 te dará tudo o que você precisa para começar, distribuir, crescer e se destacar da multidão”, é uma das mais modernas ferramentas de criação de conteúdo multimídia, seja em jogos ou mesmo assuntos de trabalho fora do entretenimento. E com ela veio também a antiga discussão de gráficos no mundo da nintendo, e, obviamente chegando de Epona até aos lugares mais distantes e sombrios de Hyrule. 

Com a UE, podemos chegar ao nível de realismo que foi criado lá no Ocarina, aperfeiçoado em Twilight e que seria um porta de entrada belíssima nessa área de realismo tão idolatrada atualmente, basta olhar a representação de Kakariko que eles simularam ou essa maravilha de Zora’s Domain.

O outro lado dessa moeda se mostra sobretudo no level design dos modelos atuais nas carcaças antigas, em outras palavras, Kakariko Village fica maravilhosamente linda na sua aparência, porém ainda se mantém geograficamente como uma construção 3D dos anos 90, em nível de homenagem está legal, entretanto considerando os os padrões atuais é estranho, principalmente por ter gramas em todo o terreno, tirando a paixão do Link por cortar gramas, isso não é recomendável, pois na prática, a vila do modelo é a do presente, que é cheia de vida. Pensando pelo mesmo argumento, isso quebraria a lógica dos remakes dos jogos anteriores a era Game Cube, basta olhar como seria Clock Town com 20 habitantes em um espaço muito grande como o que seria aplicado no Nintendo Wii U. Esse é um dos argumentos que mostra que nem sempre somente gráficos conseguem fazer um jogo ser realista e imersivo

Uhulll, agora Zelda é escuro e realista.

“Ótimo, agora Zelda é um jogo que preste, pois é real e sombrio, posso ignorar o sangue verde pq ele tem GRÁFICOS assim como todos os outros.”

O meu maior medo, como fã de Zelda e de Video Games em geral, é sempre o futuro que a série terá, e sempre que penso sobre isso, me vem o pensamento de que a série um dia terá a famosa potência gráfica tão sonhada por muitos dos fãs da série, porém ela perderá um dos seus grandes pontos fortes, que é a variedades de estilos e de aventuras, desde início da franquia com o não linear Legend of Zelda, o sistema peculiar*(falta palavra melhor diferente de rpg) de Adventure of Link chegando ao linear e impressionista de Skyward Sword ou na semi linear e cell shading de Wind Waker.

Ao analisar o mercado de jogos de console em geral, vemos o predomínio dos jogos da moda, com a ênfase nos gráficos realistas ou mesmo de muitas aventuras parecidas, sempre com o mesmo estilo de poder visual. Um outro pararelo é o cenário “gamer” no Youtube, no qual é dominado quase em totalidade pelo jogo Épicamente Épico™.

Unindo todos essas paralelas, vemos um mesmo cenário, em nível de saturação de mercado, provavelmente não ocorreria da mesma forma que ocorreu no início dos anos 1980 com os jogos de Atari, que culminou no Crash de 1983, que foi salvo naquela ocasião pelos meninos Nintendosos, ocorreria uma situação mais branca, onde produtoras teriam de mais situações de crise antes de declararem falência, reduzindo custos e lançamentos ou mesmo procurando outros mercados, como a Konami, que focou no mercado Gaming, no qual ainda possui alguma autonomia maior, pois ela consegue produzir os próprios equipamentos e jogos. Ao saturar o mercado com o mesmo tipo de jogo, você restringe o seu público a esse tipo de estilo, fazendo com que a procura caia, mesmo que em um longo prazo, pois as pessoas enjoam, além de desencorajar novas idéias, visto que não há procura por outros tipos de conteúdo. Basta olhar a quantidade de game plays cheio de frases de efeito de Minecraft ou olhando pro nosso universo, game plays de Ocarina tão mudos como o nosso querido protagonista Zelda. Apelando pro clichê novamente, precisamos sair do nosso feijão com arroz, toda hora a mesma coisa fica chata.

Entrevista minha com migo mesmo.

- Caro Guilherme, qual seria a sua análise do vídeo abaixo e qual seria as suas impressões sobre ele, gostaria de ter um jogo assim? Qual o futuro da série?

- Quero, achei perfeito e maravilhoso, venderia rios de dinheiro pra Nintendo e elevaria o nome do Aonuma a um nível acima do Miyamoto se fizesse um jogo assim somando Zelda e Ganonondorf se atacando pela Hyrule, mas traria muitos fãs que se importariam só pra jogar pelo fator gráfico e pela franquia finalmente ter chegado no realismo, já que The Legend of Zelda ainda é muito forte no mercado, basta perceber o clamor popular que cada notícia sobre um jogo produz na imprensa e no público.Traria também um péssimo legado de obrigação pros jogos futuros, já que todos iriam massacrar qualquer alternativa diferente do último gráfico da moda, como no caso da Konami.

E pra finalizar: - Qual seria o ideal de futuro gráfico pra série?

- E como vocês conseguiriam viver em um mundo que não debateria qual estilo de Zelda é mais bonito? Vocês conseguiriam viver sem brincar com os fãs de Twilight dizendo que ele é escuro, vazio e sem vida?

Eu sou o cara não-tão-novo que escreve textos de Zelda e que fala mal dos controles de movimentos. Faço Matemática na UFRJ e algumas vezes sou encontrado por lá com meu chapéu de Ezlo e tentando convencer pra outras pessoas que The Legend of Zelda é uma série ótima.

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