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Twilight Princess (GCN / Wii)

Eu gostaria de dizer que sou da geração do The Legend of Zelda: A Link to the Past. Teria tudo para ser. Não sou tão velho para dizer que comecei pelo The Legend of Zelda, para NES, mas ninguém duvidaria se eu dissesse que meu primeiro jogo da série foi o grande sucesso da série no SNES.

Infelizmente, não seria verdade. Meu primeiro video game foi o Nintendo 64 e eu faço parte da vasta, barulhenta e confusa geração do The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Não me levem a mal, Ocarina of time é um ótimo jogo, mas talvez tenha sido nessa época em que a pior parte da fanbase da série foi criada e me incomoda um pouco saber que sou parte dela.

Essa mesma fanbase foi a que criticou o The Legend of Zelda: The Wind Waker por causa do visual cartunesco e exigiu da Nintendo um Zelda mais realista, mais sombrio, mais adulto… Basicamente um Ocarina of Time – o melhor jogo das galáxias – da nova geração de consoles. Sou um pouco culpado nesse sentido. Apesar de ter gostado muito de The Wind Waker, nunca consegui negar minhas origens e estava salivando por um jogo realista e sombrio.

Em 2004, quando a Nintendo anunciou na E3 o The Legend of Zelda: Twilight Princess com um trailer, ele estava regado de todos esses sentimentos nostálgicos da geração Ocarina of Time. Era o que todo mundo estava esperando, tinha muita coisa de familiar do jogo de N64, mas tudo MEGA. Mega texturas, mega campos gramados, mega portão do castelo, mega inimigos, mas principalmente, mega lutas em cima do cavalo. "Blades will bleed. Shields will shatter." e a fanbase ficou maluca.

Mais tarde, em 2005, foi mostrado um novo trailer com mais detalhes da história do jogo, personagens, lugares e apresentando o Wolf Link, o qual foi bem recebido pelos fãs. Lembro exatamente da minha empolgação ao ver esses trailers. Para mim, aquilo era a perfeição, tudo o que tinha acontecido na série até então, foi somente para conseguir chegar ao Twilight Princess.

Digo tudo isso porque é impossível entender o que foi o Twilight Princess por si só, sem considerar o contexto no qual ele estava inserido. Esse talvez tenha sido o jogo mais esperado pelos fãs da série até então. Antes mesmo de existir qualquer vestígio de sua existência, já havia uma semente de expectativas plantada na fanbase, na forma da tech demo do Game Cube em 2000, na forma do rumor The Death of Zelda: Towers of Spirits e no descontentamento em ver o visual cartunesco de The Wind Waker no evento Nintendo Space World de 2001.

 

De certo modo, parece que a própria Nintendo quis se aproveitar de todo esse contexto. O jogo é claramente uma grande homenagem ao Ocarina of Time. Há grandes referências, como a volta de lugares notáveis como o Temple of Time e Gerudo Desert. A Kakariko Village e a Death Mountain, apesar de não terem sido criadas em Ocarina of Time, a utilização delas está muito mais próxima desse jogo do que de outros. Death Mountain volta sendo o lar dos gorons, tendo em seu pé a Kakariko Village.

O próprio Link de Ocarina of Time está presente no jogo na forma do Hero's Shade, com a missão de ensinar o novo herói técnicas de luta. Se precisasse citar todas as referências, o texto se alongaria por páginas e páginas, mas algumas outras são o Zora Domain e sua música, a Zora Tunic, a Armogohma em sua forma de aranha, o Morpheel, a configuração do castelo de Hyrule, o Graveyard e principalmente o Ganondorf.

Twilight Princess é, desconsiderando remakes, o jogo da série mais vendido até então e foi um grande sucesso de críticas. Hoje, 10 anos após o lançamento e com a poeira de empolgação baixa, há quem diga que todo o sucesso do jogo se deu apenas por causa do fan service e que o jogo peca não sendo ousado em evoluir. Mesmo sendo um grande fã do jogo e tendo o sangue de Ocarina of Time correndo nas veias, infelizmente não posso dizer que é um argumento totalmente falso.

Claramente Twilight Princess trouxe elementos novos e interessantes. O Wolf Link é uma grande mudança de passo no jogo, as batalhas montadas em cima do cavalo que todos sonhavam em ter, as técnicas mais complexas de luta, alguns itens interessantes e pouco óbvios. No entanto, no final do dia, tudo no jogo grita Ocarina of Time. Como eu disse antes, não me levem a mal, Ocarina of Time é um grande jogo, mas usá-lo ao pé da letra como referência para outros jogos é um processo perigoso.

Lá em 2006 com meus 14 anos, quando Twilight Princess foi lançado, ele era o meu jogo favorito sem sombra de dúvidas. Tudo nele era de tirar o ar, os inimigos, os cenários, as cutscenes… No entanto, hoje com 24 anos, jogos ousados, inovadores e criativos, como foi The Wind Waker, são muito mais interessantes para mim. Fico feliz que Twilight Princess tenha existido. Eu, cria do Ocarina of Time que sou, precisei vê-lo surgir para saciar esse desejo de criança. No entanto, a série precisa se transformar, se inovar, se redescobrir. Assim como o crepúsculo é somente um instante de um vasto dia, espero que os jogos durem somente o tempo que devem durar e possam dar espaço para coisas ainda mais especiais surgirem no horizonte.

 

Esse post é parte da série 30 Anos dA Lenda, um especial feito por um texto sobre cada jogo da série Zelda vistos hoje em dia. Cada texto é assinado por um autor, HLs ou convidados especiais.

Estudante de jornalismo pela ECA-USP, sou membro do site desde 2005 e entrei na equipe no começo de 2012. Comecei como Colunista, fui Redator Chefe do Zelda.com.br e hoje sou colaborador. Profundo odiador de Skyward Sword, passo boa parte do meu tempo criticando a série, irritando a fanbase.

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