Voltar ao topo

Skyward Sword (Wii)

Fazia tempo que um game não me deixava tão ansioso. Acho que a última vez que me senti assim foi com o lançamento do próprio Wii, que veio acompanhado de lindos vídeos de Twilight Princess. Cinco anos depois, em 2011, lá estava eu outra vez, assistindo trailers de um novo Zelda. E sentindo novamente essa vontade de jogar que só quem fica hypeado por um game entende. Não pensei duas vezes. Comprei The Legend of Zelda: Skyward Sword na pré-venda, com Wii Remote Plus dourado e tudo.

Agora, passados outros cinco anos, podemos perceber o impacto que Skyward Sword causou, tanto na franquia Zelda, quanto no universo de games em geral. Lembro-me que, em novembro de 2011, a crítica e os fãs louvaram o jogo. Já estávamos próximos do fim da "Era Wii", o Wii U já aparecia no horizonte. E muitos veículos especializados classificaram este jogo como o último suspiro essencial para o console. Graças ao Wii MotionPlus e a um belo trabalho de desenvolvimento, a Nintendo encerrou a vida do Wii mostrando a que ele veio e provou como controles de movimento podem mudar nossa relação com os games. Todos se maravilharam e condecoraram Skyward Sword como um dos melhores.

Isso parecia consenso. Até que algumas pessoas começaram a questionar esta perfeição. Disseram que o jogo reutilizava fórmulas batidas da franquia, que o gameplay era extremamente linear e que os controles de movimento 1:1 não funcionavam bem (o fantasma da apresentação do jogo na E3 ainda rondava). Isto levantou um debate que se estende até hoje. Acho que nenhum jogo da série divide tantas opiniões como Skyward Sword. Alguns o amam, enquanto outras o detestam até a última espadada.

Eu sou uma das pessoas que o amam. Todo o meu hype de cinco anos atrás se concretizou em um game que traz experiências pelas quais todo fã de Zelda deveria passar, pelo menos uma vez na vida.

Pedindo licença à filosofia da Nintendo de "Gameplay Acima de Tudo", o que mais me marcou em Skyward Sword foi a construção de seu mundo. Pessoalmente, tenho uma queda por jogos da série que se distanciam de Hyrule, como Majora's Mask, Link's Awakening, ou até mesmo The Wind Waker, que colocou todo o reino debaixo d'água. Já Skyward Sword foi para o mais longe que conseguiu e se estabeleceu como o início de toda a linha do tempo. Portanto, não temos aqui lendas da Princesa Zelda, do Herói do Tempo e de Ganon. Não temos nem a existência da própria terra de Hyrule e da maioria de seus povos.

Mas o que temos é um mundo cheio de locais e personagens que fazem referências à própria franquia. Sendo a introdução da lenda, o jogo apresenta cenários e situações em que se torna inevitável traçar paralelos com outros jogos.  Temos aqui uma encarnação de Link que vive em ilhas flutuantes no céu, semelhantes às retratadas em artworks de A Link to the Past. Vemos a origem de vários símbolos essenciais da série, como a túnica verde, o Hylian Shield e a Master Sword. Também podemos perceber que partes do mundo abaixo das nuvens, onde o protagonista se aventura na maior parte do tempo, se relacionam com ambientes de Ocarina of Time, como se folheássemos um livro de história e víssemos como o mundo de um game evoluiu no reino de outro. É uma grande ode à própria série Zelda, principalmente dedicada aos 25 anos que a franquia completou no ano em que o jogo foi lançado.

Não podemos esquecer também que, neste game, a Nintendo poliu suas habilidades de contar histórias a outro patamar. Os diferentes ângulos de câmera durante as cutscenes e as fortes expressões dos personagens criam uma sensação de empatia com a história, dando um ar de cinema para todo o enredo.

Porém, voltemos àquilo que a Nintendo considerou a quebra de paradigmas para este Zelda: o gameplay. Os controles por movimento, apesar de terem sido implementados em Twilight Princess, se aperfeiçoaram em Skyward Sword. Durante os quase três anos que demorei para completá-lo, não me lembro de uma única vez em que os comandos que dava com o Wii Remote Plus falharam. Os ataques da espada e o manuseio de outros itens respondiam exatamente aos meus comandos. Uma calibrada ou outra era necessária, mas nada que estragasse a experiência.

 Entendo que, para um público que passou mais de 20 anos jogando Zelda por meio de botões, chacoalhar seu caminho para a vitória pode parecer estranho. Mas, uma vez entendendo como os controles funcionam, o jogador consegue apreciar o design dos níveis muito mais, já que eles obrigam ataques da espada em sentidos específicos. Não consigo entender as críticas que alegaram os controles não respondiam de modo exato. Mas consigo entender a chateação de ter que necessariamente adquirir a tecnologia MotionPlus para poder acessar o jogo.

No entanto, Skyward Sword não é perfeito. O game tem decisões que podem te deixar confuso. A linearidade é uma delas. Apesar de não achar este aspecto de todo o mal, o jogo tentou solucionar as longas viagens à cavalo de Twilight Princess com portais que levam a três regiões diferentes. Somente três, para as quais Link fica indo e voltando durante toda a história. E, tirando em um breve trecho, o próprio game direciona o jogador a qual área ir para prosseguir. É realmente frustrante, principalmente depois de promessas de que o jogo traria variedade à fórmula Zelda. Variedade essa que também não se encontra em repetidas lutas contra chefes durante as 40 horas de jogo.

Estes pontos porém, não tiram a magia daquilo que Skyward Sword sabe fazer bem: imergir o jogador início de sua lenda favorita. Nunca antes um jogo da série apresentou  personagens tão carismáticos, uma história tão cinematográfica e controles tão inovadores. Este é um belo caso em que, como diria nossa companheira Fi no início do game, a lenda é moldada pelas mãos de todos nós.

 


Esse post é parte da série 30 Anos dA Lenda, um especial feito por um texto sobre cada jogo da série Zelda vistos hoje em dia. Cada texto é assinado por um autor, HLs ou convidados especiais

Ocasional colaborador do HL. Projeto de jornalista, demoro anos para terminar Zeldas e me considero sortudo por ter escolhido comprar The Wind Waker ao invés de um Game Boy Player quando criança.

Comentários

  • Popular
  • Recente
  • Enquete
Ontem à noite, dia 07/12, ocorreu a edição 2017 do The Game...
sex, 08/12/2017 - 10:26
Estávamos todos esperando uma data de lançamento para o segu...
sex, 08/12/2017 - 01:19
Ao longo dos anos que o evento Zelda Day é realizado em outr...
seg, 04/12/2017 - 22:41
Duração: 3 h 00 min 34 s YouTube Download mp3 (125 MB)...
dom, 03/12/2017 - 21:44
O que mais te empolgou em Breath of The Wild?