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Tri-view: The Legend of Zelda: Tri Force Heroes (p.2)

Como é bom ter amigos (se eles tiverem boa Internet)

O coração de Tri Force Heroes é o multiplayer. Você até pode jogar sozinho, mas precisa experimentar a aventura com mais dois companheiros(as) para sentir a proposta da coisa. Note o plural, porque isso só pode ser feito em trio (exceto no Coliseum; falaremos dele depois).

A experiência multiplayer do jogo traz naturalmente comparações com as duas outras vezes que tivemos Zeldas assim, com o Four Swords e Four Swords Adventures. A maior diferença entre o novo jogo e os antigos (além da falta do melhor Link de todos, o roxo) está na competitividade. Nos jogos anteriores, mesmo os Links sendo parceiros, ainda disputavam por pontos. A vida de cada um era contabilizada separadamente, assim como quantas rupees cada um conseguiu (mesmo que o total fosse um só). Isso gerava uma rixa entre os jogadores, que corriam e atrapalhavam uns aos outros para pegar mais rupees. Esse aspecto dos jogos foi completamente eliminado, agora tudo que os jogadores fazem afeta todo o time igualmente. O dinheiro é multiplicado por 3, a vida é única, a única diferença entre os jogadores é o baú no fim de cada fase, cujo conteúdo é aleatório (até que a fantasia de Linebeck foi adicionada, pelo menos).

Você vai amar essa experiência. Vai odiar também. É o paradoxo de lidar com pessoas. Eu gostaria de dizer que o problema é realmente só a companhia; isso pode ser mudado. Infelizmente, na minha experiência inicial o culpado na maior parte do tempo era o próprio jogo. Não, ele não é chato ou tem um level design mal feito. Isso a Nintendo tira de letra. O problema é aquilo que ela não domina: conectividade. Calma, nem tudo está perdido. Vejamos as diversas facetas do modo multiplayer.

Bros before slows

Links jogando 3DSConexão local: Aqui provavelmente você vai ter um momento agradável. Ou não, talvez por lembrar da experiência do Four Swords Anniversary Edition, no qual mesmo todos os consoles estando “colados” ainda havia problemas. Dois amigos próximos com 3DS e uma única cópia do jogo é tudo o que você precisa, pois ele é compatível com o recurso Download Play. E dá para jogar todas as fases que já tenham sido desbloqueadas no jogo original (só o modo Coliseum não funciona). As roupas ficam um pouco limitadas, mas é mais do que suficiente para que aquele amigo que não é ultra-fã de Zelda possa brincar junto, pois não terá que comprar nada (e é uma justificativa mais que suficiente para você ganhar Tokens de amigos, que são itens especiais). Ainda assim ele pode criar até dois trajes (limitados aos que o dono do jogo já tenha) e transferi-los para o game caso compre depois.

Se todo mundo já tiver sua cópia, podem jogar livremente, e rirem juntos, e você pode dizer para aquele cara vir até esse lado aqui e usar o bumerangue para pegar aquela bomba e jogar no interruptor ali na frente, chamar o outro para formar um totem e te jogar naquela plataforma e correr para apertar o outro interruptor antes que o tempo esgote. Fácil e indolor. Realmente, na experiência local existe essa facilidade de comunicação, mas também é importante não se deixar levar muito nas ordens. Como foi dito em uma entrevista, a ideia de não colocarem um chat mais complexo era evitar que um jogador mais experiente virasse o “mestre” dos outros dois, e isso é um risco real, principalmente quando se joga com pessoas desacostumadas com o jogo. Mas, com jogadores de nível similar, isso permite que estratégias um pouco mais complexas sejam aplicadas sem que você precise ficar spammando um emoticon de significado genérico e esperando que os companheiros leiam a sua mente.

Na pele de Link

Online: Se você estiver jogando com amigos – que tenham boa conexão de Internet – a experiência deve ser parecida com o modo anterior. O maior diferencial aqui é a comunicação. O jogo não tem suporte a mensagens nem de voz nem de texto, o que pode ser contornado com uma chamada via Skype ou coisa similar. Não recomendo fazer isso. Use o sistema de comunicação do jogo: um conjunto de apenas oito “emoticons”. Em algumas entrevistas, Hiromasa Shikata, diretor do jogo, colocou esse sistema como um desafio em si, mais um puzzle a se resolver. Eu concordo com ele. Você pode se sentir na pele de Link como nunca antes, tendo que dizer coisas sem articular palavras. E isso é surpreendentemente divertido. Há uma grande satisfação em se fazer entender. E eu rio descontroladamente do time spammando o Link com pompons para comemorar uma vitória ou torcer pelos companheiros.

Aliás, estou espalhando por aí uma “dancinha da vitória” ao terminar uma fase. Entre na onda também!

Com amigos, pode ser mais fácil pegar a ideia do que eles estão sugerindo por já termos noção do modo de pensar deles. Mas com desconhecidos nunca se sabe. Às vezes é impossível explicar a coisa mais óbvia do mundo a uma pessoa desligada. Uns dois emoticons a mais talvez fizessem grande diferença aqui. Como eu gostaria de um emoticon de “deixa comigo” para aqueles momentos em que o grupo está fazendo uma missão bombs-only, todos com a roupa que aumenta o dano das bombas, e entrando um no caminho do outro, causando explosões em cadeia. Lição importante: Tri Force Heroes é um exercício de companheirismo e paciência. Isso não é uma crítica.

Zelda é costumeiramente uma série de jogos para lobos solitários. Você está sozinho para bocejar dizendo que é tudo muito fácil ou para ter dificuldade nos puzzles como jogador novato. Quando a aventura passa a ser cooperativa com desconhecidos, os dois grupos e tudo o que tiver entre eles vão se misturar – ainda que uma atualização do software tenha tentado segregá-los através de uma pergunta antes de conectar.

Essa pergunta a princípio parecia uma boa ideia, mas na prática acabou não sendo tão útil. O resultado final é que a dificuldade em se achar uma sala em horários com menos pessoas online se tornou maior ainda. Logo na minha primeira sessão de jogo após o update, eu escolhi a opção de procurar jogadores rápidos, o que resultou em um erro de que não foram encontrados jogadores (algo inédito para mim; antes do update, o máximo que acontecia era o jogo abrir uma nova sala e te deixar esperando). Resultado: fui forçado a usar a outra opção, que parecia ter bastante jogadores.

Matchmaking adicionado na atualização de Tri Force Heroes

Há pessoas que tentam dar o melhor de si, há pessoas que sabem trabalhar em equipe e apoiar os inexperientes, há pessoas impacientes e há trolls. Para os inconvenientes, existe a opção de lista negra (blacklist): toque no ícone do jogador e aperte A ou B e você nunca mais será pareado com a criatura que está ali só para atrapalhar deliberadamente. Não era possível fazer o mesmo com pessoas que saíam no meio da partida até a versão 2.0.0, o que foi uma feliz correção. Ainda assim, Tri Force Heroes é um exercício de paciência. Isso é uma crítica.

Ideia de jerico

É impossível não se ter problemas com uma estrutura de jogo online. Repito que pessoas são difíceis de lidar. Cabe então aos desenvolvedores elaborar estratégias que evitem transtornos a quem não os merece. Em toda a sua inexperiente inocência com o mundo online, a equipe de TFH só conseguiu prever os trolls óbvios. Gente que fica te jogando em abismos e coisas assim. Foi preciso um mês de experiência ruim para que tornassem possível adicionar à lista negra pessoas que desconectam da partida por qualquer motivo que seja. Gente impaciente dando ragequit, antidemocráticos que não aceitam se a fase sorteada não for a que eles queriam, trolls que fecham a conexão na hora de receber a recompensa final (essa eu li em outro review e estou agradecido que nunca tenha passado por isso. Ainda). É muito bom poder fechar a porta em definitivo para essa gente, mas permanece um grande problema: uma vez que a conexão é interrompida, só resta respirar fundo. Todo o progresso é perdido e você retorna ao lobby, com algumas rupees de consolação (que se muito vão só te deixar ainda mais furioso). Não tem como defender: é uma forma mais porca que o Ganon de lidar com a situação.

The Lag-gend of Zebra

A cereja no bolo da decepção vem por conta dos problemas de conexão. Se você não tem um bom plano de Internet, não jogue online, camarada. O lag é in-

sup

ortável. O jogo descartará quantos frames forem necessários para manter os três jogadores sincronizados, e a infraestrutura dele é péssima. As pessoas falam de outros jogos online no 3DS (p. ex. Monster Hunter) que funcionam tranquilamente sem engasgos. Isso me dá esperança de um patch no futuro (não consigo afirmar ainda se houve melhora com a versão 2.0.0, mas parece que sim). Dica: Deixe apenas os aparelhos eletrônicos essenciais ligados, os seus companheiros podem curtir essa ideia.

O lag é tão pervasivo que nem mesmo os modos offline ficam completamente livres dele. Se você estiver em um ambiente com muitos aparelhos wireless funcionando ao mesmo tempo, o lag se torna insuportável até mesmo quando se joga com companheiros ao seu lado. Neste caso, o problema é da forma como o próprio 3DS faz a transmissão e recepção de dados, e a esperança de um patch para corrigir é nula.

Ocasionalmente, boas conexões também sofrem. Até jogando com meus colegas de review cheguei a esbarrar em um erro genérico. Nem mesmo um código foi fornecido para ele. Perdemos a fase mas pelo menos podíamos reconectar. Mas quando finalmente você consegue um bom time de aleatórios e isso acontece… Faz falta uma opção para solicitar amizade. Sabemos como a Nintendo é mimizenta com essas coisas, mas bastaria a lista de amigos ser restrita ao jogo. Não seria necessário muito nesse quesito, uma função de se ver alguma identificação de alguém com quem você jogou recentemente (uma função que existe no Wii U de forma nativa, como parte da lista de amigos) bastaria para a formação de novas amizades.

Aqui tem mais Erro que easter egg do Zelda II. Felizmente, parece ter ficado mais incomum recentemente.

Esperança

Se você não tem amigos com o jogo e está cansado(a) das frustrações com desconhecidos, tentaremos te ajudar. Estamos estudando uma forma de compartilhamento de Friend Codes aqui no site, de modo que você consiga adicionar pessoas que saibam jogar em equipe e tenham conexão boa o suficiente.

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