Voltar ao topo

Review: Hyrule Warriors

Na maioria das vezes que você vai comprar algum lanche, existe a opção de pegar algo extra: recheio extra em um lanche, cobertura extra no sorvete, recheio de catupiry na borda da pizza... São muitas variedades existentes.  Se o gênero musou fosse uma sorveteria, Hyrule Warriors seria um dos mais saborosos e teria muita cobertura extra de Zelda inclusa de graça.

Hyrule Warriors foi produzido pela Koei Tecmo em parceria com a Nintendo, sendo o primeiro musou de Zelda. Por isso, houve o cuidado com o conteúdo do jogo para que agradasse os fãs de Zelda: e acertaram em cheio!

A primeira coisa que vamos considerar é que Hyrule Warriors NÃO É Zelda, ao contrário de outros sites que chamam-no “Zelda não tradicional”. Isso fica bem claro logo de início, ao observar um detalhe nas cutscenes da campanha: os personagens aparecem mexendo a boca mas não existe dublagem, apenas o texto com as falas – se o jogo fosse feito pela Nintendo, com certeza essas cenas teriam uma direção diferente, mantendo os lábios fechados, porém reforçando o que é dito nos textos com gestos e expressões corporais e monossílabos mais marcantes. Então, é importante saber o que esperar do jogo – um musou de Zelda, e não um Zelda com elementos musou – para não ter falsas expectativas.

Os campos de batalha em Hyrule

A ideia de se controlar Link e outros heróis no meio de um campo de batalha cheio de inimigos é demais, uma vez que estamos acostumados a agir enquanto o problema ainda não surgiu ou já aconteceu. Com um ritmo bem rápido, fazer diversos combos e realizar golpes especiais é divertidíssimo, além de ser agradável a sensação de poder que você tem em mãos.

A quantidade de inimigos é enorme, embora a maioria ataque apenas raramente, estando lá para fazer volume, o que acaba ajudando bastante, pois eles não atrapalham quando existe algum objetivo que requer derrotar um inimigo mais forte - os capitães de grupos ou os bosses. O resultado chega a ser ainda mais legal: enquanto você estiver lutando com a mira travada em um desses inimigos mais fortes, as unidades em volta vão abrir espaço e podem também ser acertadas pelos seus combos exagerados - mas você não atinge suas tropas aliadas.

Mas o jogo não se prende apenas a andar, correr e bater: Os mapas – que por sinal são muito bonitos e bem feitos - são subdivididos em várias áreas que se conectam entre si e que podem ser conquistadas pelo seu exército ou por seu inimigo. Para conquistar uma área, você precisa primeiro ir para dentro dos limites dela e derrotar uma quantidade de soldados inimigos para então enfrentar um capitão da área (às vezes mais de um), que possui uma barra de vida própria e deixa itens e dinheiro após derrotado. Após conquistada, a área vai ficar marcada com a mesma cor das suas unidades (azul) e seus soldados vão começar a se reunir por ali ou surgir ("dar spawn") no local. É claro que, mesmo após dominadas, as áreas podem ser retomadas pelo exército inimigo, fazendo com que seja necessária atenção constantee ao mapa. Seus soldados vão guardar as áreas dominadas e até defendê-las um pouco das hordas inimigas, dando a você tempo de terminar sua batalha e correr para defender um posto de comando em outra parte do mapa.

Isso faz com que o campo de batalha seja mais vivo, sujeito a mudanças o tempo todo, o que leva o jogador a pensar e planejar sua movimentação em vez de ir direto aos objetivos.  Além disso, como alguns pontos de comando são mais fortes ou possuem características geográficas que lhes conferem certa vantagem, você pode priorizar a conquista deles para que seu exército tenha mais volume e força na hora de proteger suas áreas e atacar outras. Os soldados controlados pelo computador também "ganham moral" conforme você cumpre objetivos como derrotar inimigos poderosos ou conquistar pontos específicos do mapa - por exemplo, uma ponte por onde as tropas inimigas atravessam ou um portão pelo qual continuam entrando no mapa

Escolha como prefere jogar

Algo que é legal é que, apesar de todos esses elementos de estratégia existirem e enriquecerem em muito a proposta do jogo, não chegam a ser tão complicadados a ponto de se sobreporem à proposta básica do estilo "musou/beat'em up" do jogo, que é apertar os botões para destroçar quantidades enormes de inimigos sem se preocupar demais.

Jogando no nível Normal, toda essa história de conquista de áreas e moral de tropas estará rolando, mas meio que somente em segundo plano. Você pode muito bem apenas seguir para o ponto indicado no mapa e bater em tudo que vê pela frente, que o jogo consegue balancear as coisas. Não demorando muito para cumprir os objetivos propostos, você vai conseguir passar de fase numa boa - algumas áreas conquistadas podem até ser perdidas de volta para o inimigo, alguns aliados podem se retirar do campo de batalha, mas nada que vá fazer você perder a missão. Jogando em dupla com um amigo (um na tela da TV e outro no Gamepad), vocês podem muito bem levar o jogo todo conversando entre si sem que isso atrapalhe sua atenção dos acontecimentos nem leve à derrota - se você se garantir nas luta, é claro.

Já se você se interessa por essa camada a mais de estratégia que o jogo propõe, é só colocar no modo Hard que os inimigos vão estar mais fortes, um pouco mais espertos e numoresos, e isso é suficiente para mantê-los o tempo todo ameaçando tomar suas áreas ou derrotar seus aliados, e também vai fazer os capitães de hordas se defenderem mais dos seus ataques, tornando mais necessário o uso da esquiva, de combos mais elborados e de outros equipamentos durante as lutas. Você estará sempre andando, correndo e batendo em tudo que se mexer, mas vai se ver forçado a pensar rápido em mais coisas, a fim de estar sempre planejando seu caminho, a ordem na qual conquistar e avançar pelos postos de comando e gerenciado melhor os power-ups e equipamentos do seu personagem.

Além da pancadaria

Durante as batalhas, os personagens pegam itens nos icônicos baús de Zelda, que se tornam equipamentos auxiliares ao combate. Estão disponíveis as bombas, arco e flecha, bumerangue e o hookshot, mas esses equipamentos acabam não acompanhando a dose de “exagero” dos ataques das armas principais, sendo usados apenas em pontos específicos e parecendo bem produto de fan service mesmo. Há alguns baús secretos que escondem itens para determinados personagens, além de um piece of heart e um coração cheio em cada fase, conferindo ao jogo também um certo fator de exploração.

Mas não só de batalhas vive Hyrule Warriors: O jogo tem o Bazaar, um menu especial entre as missões que simula uma loja na qual você utiliza os materiais coletados nas batalhas - que os inimigos derrubam quando eliminados - e pode criar itens como poções que recuperam vida ou afetam suas tropas; roupas que melhoram sua resistência a danos e contra determinados elementos. Também é possível realizar um upgrade nas armas, aumentando o dano e adicionando efeitos elementais aos golpes Tudo isso é guardado na forma de insígnias (badges), que você vai ativando em uma árvore de habilidades próprias de cada personagem (lembra um pouco o Sphere Grid de Final Fantasy X ou o Crystarium System de Final Fantasy XIII, mas também podemos citar os sistemas de Hack N' Slashes como Devil May Cry, O Senhor dos Anéis da EA ou Bayonetta).

Outra opção disponível nesses menus, especialmente para quem não tem muito tempo ou paciência, é o Dojo de Treinamento: aqui o jogador pode pagar com rúpias coletadas nas fases para elevar, num clique, níveis de personagens que vai destravando no modo história, sendo que o máximo é o nível de seu personagem mais forte - algo parecido com um Day Care instântaneo de Pokémon. O custo de rupees é grande, mas acaba economizando bastante tempo, já que todo novo personagem aberto vem no menor nível do jogo.

HW também permite salvar seu progresso durante a batalha, e, ao carregar de volta, a situação no campo vai ser exatamente a mesma de quando você parou - algo próximo de um save state, o que é bem interessante.

Mas afinal, onde entra Zelda nisso?

Por mais que Hyrule Warrios não seja Zelda, é um jogo sobre Zelda e feito por fãs de Zelda. Confesso que me surpreendi com a atenção que deram ao universo da série. Sério, não tem palavras para definir o que é controlar Impa, Sheik, Ganondorf e outros depois de tanto tempo imaginando como eles atuariam em um campo de batalha. Os combos são diferenciados e apropriados para cada personagem.

As músicas são bem trabalhadas e, embora apresentem alguns trechos remixados, conseguem ter seu toque de originalidade, fazendo com que não sejam apenas uma versão heavymetal de determinado som - às vezes, elas acabam parecendo músicas completamente novas que foram feitas por fãs e por isso fazem alusões a trechos de músicas consagradas. Os mapas seguem os padrões da série, sendo muito bem re-imaginados. Inclusive, chamo a atenção para o mapa chamado Temple of Souls, no qual há varias estátuas do Link das três eras retratadas no jogo (Ocarina of Time, Twilight Princess e Skyward Sword).

O fato de você estar em uma guerra faz com que tudo seja mais exagerado e interessante. Impa e seus outros aliados irão se comunicar constantemente com você passando informações e objetivos para serem cumpridos - a fada Proxi, nova companheira de Link, responde pelo herói nesses momentos. E as melhores partes ficam nos finais das fases que você enfrenta um boss. A luta contra Gohma, por exemplo: na série principal, o combate costuma ser sempre em uma sala escura, fechada com Link e o monstro trocando golpes até que um dos dois caia. Já em Hyrule Warriors a luta se passa no próprio mapa da fase inteira, formado pelos galhos enormes da Árvore Deku e as diversas construções de madeira e pontes que fazem a ligação com a floresta em volta; soldados Hylian correm de um lado para o outro, combatendo as hordas de inimigos, enquanto o aracnídeo gigante vai aparecendo em pontos diferentes do mapa, atacando partes da árvore Deku. A velha estratégia de esperar Gohma atacar para disparar um projétil em seu olho e então atacá-la com sua arma principal se mantém, mas entre isso há centenas de inimigos e aliados em volta sendo afetados pelos golpes entre você e o boss, há os postos de comando pelo mapa sendo disputados entre as tropas aliadas e inimigas, há os ataques devastadores dos personagens principais...

Tudo isso contribui para criar uma atmosfera épica a sua própria maneira. As batalhas são grandiosas, como se cada luta de seu personagem realmente representasse um movimento em uma grande guerra que está ocorrendo por toda Hyrule.

 

O lado ruim da guerra

Infelizmente, o jogo tem algumas limitações. O modo cooperativo, embora seja bastante divertido – afinal, cada personagem pode se focar em uma área para conquistar – apresenta alguns slowdowns.  Além disso, acho que o gamepad, que mostra quando os objetivos foram cumpridos, HP dos seus aliados e faz a seleção de itens, poderia ser melhor utilizado, colocando funções como poder observar o mapa e até dar alguns comandos simples para os capitães regiões dominadas.

Um modo de multiplayer online e uma opção de modo Jogador vs. Jogador também fazem bastante falta, ainda mais pelo sistema de conquista de territórios. Seria muito divertido ver jogadores fazendo estratégias combinadas para dominarem o mapa todo ou para dominarem o mapa um do outro, além de dar uma longevidade maior ao jogo – depois de você coletar alguns desbloqueáveis e determinados itens para certos personagens, não existe muita motivação para continuar jogando. O Adventure Mode, em tese um modo extra de jogo, resume-se a missões curtas espalhadas por um mapa e consistem de derrotar um determinado número de inimigos em certo tempo, acertar diversos hits num só combo, conquistar bases, coletar itens e coisas do gênero. Pode valer como achievements pessoais ou deixar no ar ideias que podem ser mais exploradas no futuro, mas não chega a dar vida nova ao jogo ou chamar a atenção de quem já jogou muito no modo campanha.

Outro momento que gera estranheza, além das cutscenes sem dublagem que citei no começo do texto, é que se você selecionar um personagem diferente de Link e que, na história do jogo, também vai estar presente naquela missão, o personagem vai se repetir – quando joguei tinha duas Impas no campo de batalha: eu e o NPC. Ao rejogar algumas telas e ir direto aos objetivos (que antes era impossível pois precisava de itens, que você já tem na segunda jogada), existem alguns erros de script, com inimigos e cutscenes nos momentos errados. Felizmente, só notei muito isso porque estava jogando e pensando neste review, mas na prática, no meio da jogatina, esses erros não tornam o produto injogável.

O veredicto

Devido as suas características únicas de musou e Zelda, Hyrule Warriors acaba sendo um excelente jogo, principalmente para os fãs da série. Os detalhes e referências feitos pela Koei parecem ter sidas selecionados à dedo para agradar o jogador. Ainda com a falta de modos que deixem um jogo com uma duração maior, tem um enorme valor, ainda mais por adicionar pela primeira vez algumas características - mesmo sendo um spinoff.

E como bom spinoff, Hyrule Warriors é mais uma homenagem à série do que um novo capítulo. É como pedir a cobertura ou o recheio extra, quando geralmente buscamos uma quebra de padrões - fugindo da dieta ou deixando de nos preocupar com calorias extras afim de um prazer descompromissado. E é exatamente desse jeito que se deve aproveitar o jogo: sem compromissos, aceitando as novas regras impostas sem levar tudo a sério. Se é isso que você está procurando, bom apetite, não tenha vergonha de lambuzar os dedos!

 

(Hyrule Warriors foi lançado para o Nintendo Wii U em 14 de Agosto no Japão e 26 de Setembro nos Estados Unidos, podendo ser comprado pela eShop ou em mídia física)

Mago das palavras e defensor do brócolis com filé de frango, vê Waluigi como um exemplo de vida a ser seguido

Comentários

  • Popular
  • Recente
  • Enquete
Após propagar e acertar diversos rumores sobre o lançamento...
sex, 21/04/2017 - 18:30
Não que isso irá mudar algo na experiência de se jogar os jo...
sex, 21/04/2017 - 17:17
Durante a Comic Con Experience Tour que aconteceu no Nordest...
qui, 20/04/2017 - 11:19
Hoje (12) foram divulgados através do Nintendo Direct os nov...
qua, 12/04/2017 - 22:14
O que mais te empolgou em Breath of The Wild?