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Vinheta para a seção Análises e Prévias

Link's Awakening (GB)

Um gigante Adormecido

É possível que a sensação de estar perdido esteja duplamente atrelada a The Legend of Zelda: Link’s Awakening. Uma delas talvez seja pelo herói chegar em uma nova ilha misteriosa e cheia de surpresas como é Koholint. A outra, que pode ter originado a primeira,  talvez seja o que representa esta aventura do Chapeuzinho Verde - que era cinza - no pequeno GameBoy lá em 1993 - uma vez que nasceu entre dois colossos da franquia, os grandiosos A Link to the Past (SNES) e Ocarina of Time (N64).

E, sim, eu sei o que colosso significa, mas não quer dizer que a aventura dessa ilha seja pequena e insignificante. Mesmo que ele tenha nascido como um port do jogo de Super Nintendo, o seu desenvolvimento foi tão grande que acabou gerando uma aventura nova, bastante original comparada aos jogos anteriores: pela primeira vez nós saimos de Hyrule para explorar novas terras e novos mitos, aumentando o que conhecemos do folclore.

E, sim, eu sei que apesar de ser um jogo, a franquia The Legend of Zelda tem um folclore maravilhoso, com Deusas, lendas, um herói, uma princesa, um vilão e até um artefato mágico. Porém dessa vez não existe nada disso: pela primeira vez esquecemos tudo de Hyrule e mergulhamos na ilha e nos seus habitantes peculiares, com seus trejeitos vindos diretos do reino do cogumelo.

E, sim, eu sei que apesar da Marin, sua melhor amiga na ilha se parecer com um garoto de flauta em A Link to the Past, temos seres novos muito carismáticos como um idoso que só fala por telefone, um Tarin-e-não-Talon que vira um guaxinim e uma famosa coruja faladeira chamada apenas de Big Owl, ineditismo um tanto quanto incômodo comparado a grande Kaepora Gaebora de Ocarina. Você não deseja não ler esse parágrafo novamente, não é?

*Não

*Sim

E, sim, eu conheço o ineditismo desse jogo, apesar das músicas serem algo maravilhoso desde o primeiro acorde do trintão The Legend of Zelda (1986), pela primeira vez uma música tem uma papel importante em Zelda - a Ballad of the Wind Fish - é uma canção usada para acordar o famoso peixão que dá o nome à canção no topo do monte Tamaranch que está dormindo e aguarda o herói para ser despertado. Inédito também é o conceito de colecionáveis além dos usuais pedaços de corações com as conchas mágicas (Secret Seashells) que liberam melhorias durante o jogo ou o recompensador sistema de trocas para conseguirmos o bumerangue.

E, sim, eu posso saber que ‘recompensador’ tem duplo sentido nesse jogo, podendo expressar as coisas boas que são passar por dungeons difíceis como a Eagle’s Tower e conseguir uma upgrade na caverna das cores do remake, e pode ser realmente triste como descobrir toda a verdade que envolve a sua estada na ilha e todo o caráter desolador do motivo dessa jornada e sua amizade com a bela Marin.

E, sim, eu sei o que é desolador. Talvez não seja uma lua caindo na terra com uma música bem atmosférica e viciante, mas descobrir que tudo que você viveu nessa ilha em meio a seus habitantes absurdamente normais, que sequer acreditam que existe Triforce ou outro mundo além da ilha, acaba tendo um sentido mais literal como fantasioso e mágico do que a própria lenda envolvendo as deusas e artefatos que concedem desejo e todas as referências ao jogo do bigodudo não passam de uma grande sacada dos seus criadores para mostrar a genialidade do enredo tanto no original como no remake.

E sim, eu reconheço que a versão DX é um remake e que colocaram uma nova paleta colorida depois de 5 anos de espera, além da já citada Color Dungeon - o Calabouço Colorido - que possibilitava uma nova armadura ou uma nova espada, além da quest que possibilita utilizar um apetrecho não muito popular do game boy para se tirar fotos. E que até mesmo o final foi levemente modificado para evidenciar ainda mais a sutil ambiguidade do desfecho.

E sim, eu sei que ambas versões não foram populares como os gigantes que as cercam pelos dois lados. Mas, talvez como as sombras que querem evitar o despertar do grande peixe ou mesmo como os próprios Koholintianos, tudo nesse jogo - e esse jogo como um todo - se alojou na mente e se recusa a deixar a memória das pessoas que encararam essa jornada de descobrimento - inclusive a dessa que escreve.

E sim, agora eu estou recomendando The Legend of Zelda Link’s Awakening porque este é um aventura fantástica e sem igual.

Até logo… Hoot!

Feliz 30 anos de Zelda.

 

Esse post é parte da série 30 Anos dA Lenda, um especial feito por um texto sobre cada jogo da série Zelda vistos hoje em dia. Cada texto é assinado por um autor, HLs ou convidados especiais.

Eu sou o cara não-tão-novo que escreve textos de Zelda e que fala mal dos controles de movimentos. Faço Matemática na UFRJ e algumas vezes sou encontrado por lá com meu chapéu de Ezlo e tentando convencer pra outras pessoas que The Legend of Zelda é uma série ótima.

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