Voltar ao topo

Adventure of Link (NES)

É um pouco estranho escrever sobre o Adventure of Link em uma série de textos como esta. O jogo é tão diferente do resto da franquia – e tão criticado por isso – que parece impossível argumentar que ele vale a pena. Mas, apesar de todo o ódio, essas diferenças são exatamente o principal motivo para jogá-lo.

Não vou contar uma história de infância e nostalgia. Só vim a jogá-lo em 2009, através da Collector’s Edition do Nintendo GameCube. A princípio eu acreditava na opinião popular e comecei o jogo com receios, meio que só por “obrigação” de jogar todos os Zeldas. Mas depois da experiência, minha própria opinião se formou e eu passei a adorar o jogo ao ponto de considerá-lo um dos meus favoritos na série.

 

Eu sempre gostei de jogos difíceis. Um jogo fácil entretém, mas a sensação de triunfo que se tem quando você se esforça ao máximo para superar um desafio e é recompensado com a vitória é algo que considero intrínseco na experiência de um videogame: algo que não se consegue assistindo um filme ou lendo um livro, apenas quando suas próprias escolhas e habilidades estão sendo exploradas. E se tem uma palavra que define muito bem o Zelda II é "desafio". Eu consigo lembrar vividamente da primeira vez que eu zerei o jogo, quase 7 anos atrás. Do sentimento de alegria, orgulho e superação naquele momento. Cada batalha contra chefe, cada Iron Knuckle vencido, dava a impressão de ser um obstáculo superado e não apenas uma perda de tempo entre uma parte e a próxima.

Boa parte do que eu gosto na dificuldade é justamente o sistema de batalha. As lutas me fazem sentir como se eu realmente estivesse em um duelo de espadas. Manter a distância, bloquear ou esquivar dos golpes inimigos, procurar brechas para atacar sem retaliação, tudo isso com o conhecimento de que cada erro vai contar e acumular, ao invés de ser apagado por um drop de coração em um matinho próximo, criam uma sensação de tensão e risco-recompensa muito forte. Enquanto isso, as magias complementam o combate com mais um elemento estratégico. A cada “tela” eu preciso decidir se vou ativar o Shield, reduzindo o dano tomado ou usar Jump para melhorar minha mobilidade e evitar completamente os inimigos. Ou talvez seja melhor guardar a barra de magia para usar Life em momentos de necessidade, ou em casos em que o uso de feitiços seja obrigatório para passar de algum obstáculo.

 

Mas, mesmo com toda a dificuldade, Adventure of Link pega relativamente leve nas punições por falhas, o que é um grande diferencial para outros jogos da era. Mesmo sendo jogado de volta para o North Palace, o ponto inicial do jogo, a cada game over, o progresso nunca é completamente perdido: tudo o que eu tinha que fazer era viajar novamente para o local onde eu fui derrotado, o que geralmente não leva muito tempo, pois novos caminhos estão sempre sendo abertos no world map e voltar é mais cada vez mais rápido, com mais vida e magia do que antes. Isso é especialmente relevante nos palácios, já que boas porções podiam ser ignoradas em uma segunda chance, porque eu já tinha aberto portas ou pego o item da dungeon, então o único retrabalho era enfrentar de novo os inimigos no caminho. Isso faz com que o jogo cobre do jogador uma boa performance e ao mesmo tempo permita que com insistência e perseverança seja possível avançar, um passo de cada vez.

Isso, claro, se o jogador prestar atenção no layout das dungeons. Esse é um jogo que eu sempre jogo com algum tipo de bloco de notas do lado, porque depender apenas da memória para navegar por ele é arriscado. Os palácios, assim como algumas cavernas, são verdadeiros labirintos e é importante saber que caminhos já foram tomados e quais ainda se deve trilhar para não se perder. Seja na Death Mountain ou nos palácios, eu sempre desenho mapas rústicos, indicando rotas que eu ainda não tomei e anotando para onde cada bifurcação leva. Isso permite que eu volte atrás sem me perder, além de ajudar quando um game over acontece. Pode parecer um trabalho a mais, porém sempre me dá a impressão de que eu realmente sou um explorador desbravando ruínas ancestrais sem qualquer tipo de ajuda externa.

Em suma, o Adventure of Link é um jogo que demanda completa atenção do jogador, tanto para o combate como para a exploração. Não é um jogo que você possa simplesmente pegar e jogar “no automático” mesmo depois de já conhecer bem suas mecânicas. E por causa disso, ele dá uma grande satisfação ao jogador. Se você nunca jogou mais do que alguns minutos, e torceu o nariz por causa das diferenças de gameplay e princípios entre esse jogo e o resto da série, eu espero que esse texto convença-o a pelo menos dar mais uma chance à esta aventura, pois jogá-la do início ao fim realmente vale a pena.

 


Esse post é parte da série 30 Anos dA Lenda, um especial feito por um texto sobre cada jogo da série Zelda vistos hoje em dia. Cada texto é assinado por um autor, HLs ou convidados especiais.

Comentários

  • Popular
  • Recente
  • Enquete
YouTube Olá, treinadores! Hoje no sidecast Samir Fraiha (Tw...
sex, 09/08/2019 - 11:32
Em Julho de 2018, o presidente da Inti Creates, Takuya Aizu,...
ter, 23/07/2019 - 20:27
O Jogo Véio tem como um de seus carros-chefes as revistas t...
sex, 12/07/2019 - 17:34
Começando nessa sexta-feira, dia 12/07, o grupo TheSpeedGam...
ter, 09/07/2019 - 23:03
O que mais te empolgou em Breath of The Wild?